You are currently browsing the category archive for the 'Prosa Rimada' category.
Prosa poética (em decassílabos heróicos)
O dia de amanhã não foi escrito; é uma página ainda a ser preenchida, onde pode escrever o homem aflito ou quem vê só beleza nesta vida…
Você pode escrever, nessa alva folha, mil recados de amor e de esperança e optar se for sábio nessa escolha, por viver os seus sonhos de criança.
O dia de amanhã não tem um dono; tanto pode ele ser do milionário, como ser de um menino, no abandono, que vive pelas ruas solitário.
O dia de amanhã ainda é futuro, mas em pouco será mais um presente e se você tratá-lo com apuro, será lembrança boa e permanente.
Um dia o amanhã será passado e irá levar com ele o seu destino, vendo o tempo que corre, acelerado, como o velho que um dia foi menino. Todo passado um dia foi futuro, foi presente, mas hoje está na história. E morre assim o tempo, simplesmente; é lembrança guardada na memória.
Se o modelo fracassou, vamos mudar o modelo! Se assim não dá pra viver, porque então vamos vivê-lo.
O importante é ser feliz, não como sempre se diz, mas como podemos sê-lo.
Os regimes já mudaram, governantes se trocaram, só as regras são estáveis. E nós nem nos damos conta que tudo só nos afronta e fabrica miseráveis.
Vamos soltar as amarras, dos monstros cortar as garras e combater os venais. Reformam-se sempre as leis, porém vamos, cada vez, nos afundando ainda mais.
Se a previdência faliu, se foi a pique o navio, vamos mudar o sistema. Tem gente ficando louco porque ganha muito pouco num malvado estratagema.
Aqueles que fazem leis, se aproveitam mês a mês, para enriquecer deveras; e nós, os trouxas mortais, que nos mantemos legais, sonhamos com novas eras.
Mas que era será essa, onde só falsas promessas tentam nos dar um alento? Salário de deputado dobra e o do aposentado, cresce só uns três por cento.
Governo é igual a banco, só nos serve de atravanco e cobra juros de cem; mas se têm de nos pagar prorroga e quer parcelar, pagando só alguns vinténs.
São bastante desumanos e vivem fazendo planos para enganar a nação e os bestas trabalhadores, curtindo seus dissabores, vivem triste situação…
A aceitação pelo povo do governo foi, de novo, avaliada em pesquisa. Subiu um ou dois por cento e dizem que esse aumento é prêmio pra quem realiza.
Ah povo burro e carneiro! Corre e paga primeiro, mas se recebe não sabe. Após 35 anos se enche de desenganos e espera que tudo acabe. Que o lar nalgum cemitério, ponha fim ao climatério pra quem não pode viver; por que Deus fez este mundo pra prestigiar vagabundo que faz o resto sofrer?!
A que se destina o verso? Perguntamos neste dia, quando nós comemoramos a data da poesia…
Recomendamos a todos, que façam muitos poemas, ressaltando as coisas belas e denunciando os problemas, sabendo que, pelas rimas, mudamos velhos sistemas.
Com a poesia alertamos que miséria e incompetência caminham de braços dados, porque produzem violência, e devemos defender para que haja mais decência.
Ante a desonestidade que graça neste país, pode o poeta mostrar porque se é infeliz, já que é a impunidade, junto a muita leviandade, sua maior geratriz.
Podemos aproveitar e reclamar neste dia, contra os abusos do homem envolvendo a ecologia, sujando rios e mares, pondo fumaça nos ares, destruindo fauna e flora.
Nunca se viu como agora tanta ganância e maldade; quer no campo ou nas cidades, estamos nos suicidando e os governos contemplando dizendo que irão estudar e estudos intermináveis vão gerando miseráveis que nem têm onde morar
Reclamem, caros poetas, sem deixar de ser estetas, contra o mal que nos assola. Busquem com força as idéias, divulgue-as entre as platéias, pois essa é a nossa pistola.
Claro que também podemos fazer uns versos de amor, ensinar a perdoar, livrando-se do amargor, seguindo a grande receita que nos deixou o Senhor.
O importante, porém, será que ao lê-los ninguém irá ridiculizá-los, porque serão tão bem feitos, que lhe darão bom conceito e irão imortalizá-lo.
Seja na trova ou soneto, nos versos brancos ou pretos, que tenham mensagens claras, mesmo sendo cantoria, com repentes, ironias, belezas dos paus-de-arara.
Como os abolicionistas, que com seus pontos de vista se mostraram poetas bravos, levando versos à praça, defendendo a negra raça e libertando os escravos, vamos deixar nossa marca, ante as idéias tão parcas dos governos, dos ladrões, dos gananciosos e avaros, homens todos sem preparo em suas parcas funções.
Seria na inspiração do poeta concentrado ou no homem distraído, sofrido ou desesperado?
Talvez fique, disfarçado, no canto do passarinho, ou se esconda, camuflado, nalgum gesto de carinho…
Quem sabe o poema está na lágrima que nos veio e que rolou pelo rosto, dividindo a face ao meio…
Pode ser que o verso more num amor que se perdeu ou numa chuva ligeira, ou na ilusão que morreu.
Pode esconder-se na onda, de espumas brancas do mar, no coração da semente, que fenece ao germinar, no interior de alguma rosa que até o espinho admira, na orquídea grudada ao galho, enquanto flora e respira… Há um poema perfeito escondido na criança, ou no zumbido do inseto, ou quando existe esperança! Há verso no sol que nasce, mas não igual ao da lua. Há poemas que nos chegam a todo instante, nas ruas, no mendigo que uma esmola pede na hora da dor ou na dádiva cristã que dá amparo ao sofredor…
A poesia se encontra no cão que faz companhia, em uma estola de lontra, no cheiro da maresia…
Onde se esconde o poema? foi a pergunta inicial. Ele mora num diadema, num amor de carnaval, no abominável racismo, nas nuvens que guardam chuvas, na vaidade, no egoísmo, num belo cacho de uvas.
Para que serve o poeta, se nele não há poesia, embora como uma asceta, busque no ar a melodia?
Que fique bastante alerta para perceber os temas e depois lhes dê boa forma, como convém aos poemas.
O poeta tem os olhos cheios de imaginação, por isso é que se destaca no meio da multidão. Enquanto ele vê na folha, que despenca e vai ao chão, um mundo inteiro de vida, ninguém mais presta atenção. Rolando no vendaval, tem um poema guardado, traz o germe do ancestral que um dia foi enterrado para dar frondosa planta, com flores sombras e fruto: a semente que morreu e renasceu num minuto.
Portanto, você poeta, procure em qualquer lugar, porque o poema se esconde onde você procurar; basta olhar com olhos ternos, pesquisando o mar da vida, porque é nas coisas do eterno, que a poesia está escondida.
Enquanto o homem imagina que destrói a natureza não percebe ele que mata em si a própria beleza.
Não vamos sujar as matas, não vamos sujar os rios, não vamos sujar os mares! Nem vamos sujar as mentes, com idéias poluentes que contaminam os ares…
Sem que haja mais respeito, entre o dever e o direito, entre o silêncio e o barulho, não haverá harmonia e o homem, no dia-a-dia, só vai juntando bagulho.
Para curar o planeta, nossa mente que ainda é preta precisa encher-se de luz. Temos de ser mais fraternos porque este mundo moderno já se esqueceu de Jesus.
Quem buzina em frente à escola, estaciona e não dá bola para os direitos alheios, só perturba a sociedade, emporcalha sua cidade, vive no mundo a passeio.
Quem ouve som muito alto, e só deixa em sobressalto quem está velho ou doente, cale a boca e não reclame, mesmo que alguém o difame porque é também delinqüente.
Ladrão não é só quem rouba um carro ou um celular, ladrão é também quem tira o sossego de algum lar. Quem joga lixo na rua, quem faz qualquer falcatrua, enganando o semelhante, destrói também este mundo, porque é mais um ser imundo, nesse caos itinerante…
A natureza calada, recebe todas pedradas que o homem lhe atira, rindo; e enquanto o homem se mata, ela, serena e pacata, vai o seu ciclo seguindo.
Quem tem câncer, tem artrose, sofre de dengue ou virose, é o homem não é o rio; porque nem mar e nem mata sofrerão de catarata de febre ou de calafrio.
Se a Terra esperar cem anos para que os seres profanos possam ir pro cemitério, ela espera com paciência, pois se apóia na ciência do Pai que é puro critério.
Oh, ser humano insensato, ganancioso e tão barato que nem sabe o que é ao certo! Já é hora de aprender que aqui para se viver é preciso ser esperto. Mas ser esperto não é tirar o que o outro tem, estragar o que é do mundo, só pensando em se dar bem, porque essa tal de riqueza é na verdade pobreza, que não nos vale um vintém! Cuide da casa de Deus, pois são cristãos ou ateus filhos da mesma Matriz; não destrua a natureza, desfrute a sua beleza, viva bem, seja feliz!
ODE A UMA FOLHA EM BRANCO Tenho só uma folha em branco e mais vinte e seis sinais, além de alguns petrechos, acentos e coisas tais, aspas, hífens, travessões para dar as pontuações e ser fiel às gestões das regras gramaticais. Encomendo a inspiração que vem por não sei que meio e na minha transcrição vou dizendo sem receio, o que está no coração e nasce dos meus anseios. Pode ser uma poesia, das que faço todo dia nos estilos mais diversos, ou pode ser uma prosa que fala de espinho e rosa na cantilena dos versos. Como disse Castro Alves, em seu “Obras Escolhidas” esta trova bem bonita, dessas que alegram as vidas: “Do espanhol as cantilenas requebradas de langor, lembram as moças morenas, as andaluzas em flor”. A folha está ali calada… Não se mexe nem com o vento… Parece que, respeitosa, aguarda que o pensamento me venha ofertar a frase e, às vezes, ele nem quase percebe o doce momento. Temos na vida estas folhas para deixar os recados e se houver muitas escolhas escrevemos dos dois lados, deixando mensagens sérias ou farsas de enamorados… Se não houvesse uma folha com a minha certidão, garantindo que eu nasci e que hoje sou um varão, ninguém saberia de mim e eu seria, no fim, somente suposição! Isso que eu disse é verdade… Se não fosse o documento, eu até na minha idade não teria o casamento reconhecido por todos e sendo pai de um rebento. A uma folha se deve, eu digo em relato breve, tanto coisa neste mundo! Um livro é uma turma delas, em seqüência, e na espiadela há um mistério profundo. Novo mundo é descerrado, quando um livro é folheado e bebemos de seu néctar e a inteligência se aguça, fale ele de escaramuça ou algo que se projeta e vem do éter pro cerne, transformando em Deus o verme que o homem ainda o é, por falta de inteligência que embota toda a coerência e não o deixa ter fé. Hoje em estantes guardados, estão livros, lado a lado, formados de folhas mil; contém os abecedários, as cartilhas, dicionários, para ensinar o Brasil. Tudo o que hoje está escrito, desde os tempos do infinito, estava solto no ar. Mas depois foi registrado e numa folha marcado para podermos guardar. Sabemos dos dinossauros e até dos monstros centauros pela paleontologia, dos deuses da velha Grécia e das suas peripécias; verdades, mitologias… Até a história do mundo, que sabemos num segundo ao lermos os Testamentos, é filha desta alva folha, cuja principal escolha era balouçar nos ventos. A esta folha dou graça, porque desejo, sem jaça, falar da sua importância. Se não a defino bem e se não vou mais além é por pura ignorância!… Esta folha já foi planta, já deu fruto e flor que encanta e deixa o ar bem mais puro; mas agora, em nova sina, o homem ela ilumina porque lhe ensina o futuro!
