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Brincam de Deus para ganhar dinheiro – escrito em nosso blog em 16/10/2008
No dia 30 de dezembro de 2007, no caderno Milenium do Jornal o Correio da Paraíba, páginas 1 e 2, temos as “adivinhações” da Sra. Amira Lépore, mais uma das pitonisas do século XXI que, segundo o jornal, é respeitada por políticos e celebridades do Brasil e dos Estados Unidos, onde reside e atende há 20 anos. No Brasil, tem como clientes Roberto Carlos, a família Collor de Melo, Beth Faria, Raul Seixas (já falecido) e Eurico Miranda. Como vemos, trata-se de uma coleção de grilados.
Vamos conferir o que ela disse na época:
1 – Liderança política será assassinada no Estado. Estado da Paraíba, no caso.
Quem foi esse? Até agora!…
2 – Cássio perderá mandato e um “José” assumirá o Governo.
Não perdeu e se perdesse o José seria ou o Lacerda ou o Maranhão, os dois sucessores naturais. Não precisa ser profeta para esse tipo de suposição…
3 – Ano não será bom para Lula que renunciará, sofrerá atentado ou acidente de avião.
Como ela não disse quando nem onde e como até agora nada disso aconteceu, estamos aguardando. E o senhor Presidente nunca esteve tão firme e nunca foi tão popular. Parece que não só não pretende renunciar como deseja fazer a sucessora do Planalto.
4 – Semi-árido terá chuvas intensas onde há seca.
Isso a meteorologia, com seus instrumentos cada vez mais precisos, já havia previsto.
5 – A política paraibana, segundo a vidente, terá uma reviravolta por volta do mês de maio. Sem citar nomes, a psicóloga afirma, inclusive, que o atual governador será cassado.
É o que qualquer um, mesmo que não fosse vidente, imaginaria que acontecesse, diante das evidências, se nesta terra existissem lei e gente séria. Mas como não é o caso, está tudo como dantes no quartel de Abrantes.
6 – O novo governador assumirá e ainda será reeleito.
Estamos aguardando, meio sem acreditar. Por muito menos, muito boi de piranha já dançou.
7 – Importante líder religioso paraibano será assassinado.
Teria sido assassinado algum? Quem foi?
8 – 2008 terá 3 grandes desastres aéreos na cidade de São Paulo, com as mesmas proporções do vôo da TAM.
Até agora não aconteceu nenhum. Mas como ainda faltam uns dois meses e pouco, quem sabe ela acerta essa… Afinal, o Aeroporto de Congonhas coopera, e muito, para que a profecia dela dê certo.
9 – Um líder religioso baiano que faz greve de fome contra a transposição será assassinado.
Até agora, não foi. E nós sabemos bem quem é o tal. Só morreu um que foi passear de balão, demonstrando absoluta irresponsabilidade com a sua vida.
10 – Nas olimpíadas de 2008 o Brasil ganhará muitas medalhas, principalmente no Vôlei, Atletismo e Remo.
No vôlei ela seguramente pensou nos homens de Bernardinho e no esporte de praia (Ricardo/Emmanuel e Juliana/Larissa), o óbvio, onde houve um vexame total. Só as meninas de quadra salvaram o esporte. No remo nunca fomos tão mal e no atletismo, excetuando a Maureen Magi, não ganhamos nada de expressão. E se ganhássemos algo mais, não faríamos mais do que a obrigação dada à tremenda delegação que mandamos para a China.
11 – O Corinthians voltará para a primeira divisão.
Ora, quem é que duvidava disso, podendo ficar entre os quatro. Principalmente porque não há um único clube de expressão nacional na Série B.
12 – Disse que Dunga deixaria a seleção do Brasil e que o Scolari ficaria na seleção portuguesa, segundo ela, a grande favorita ao título de 2010.
Como vemos, não aconteceu nada disso. Estamos em outubro e o Dunga continua se arrastando, embora a sua permanência seja só pra contrariar a vidente, porque já devia ter caído mesmo. E o Scolarii que, segundo ela, continuaria dirigindo Portugal, está feliz e muito rico no Chelsea. Quanto a Portugal ser favorito, veremos em 2010, se eles se classificarem para a Copa.
Há muito tempo a Globo deixou de apresentar no Fantástico o seu quadro de previsões, fajutices e chutações. Essa história de que alguém vai morrer, algum vai se dar mal, sem dizer claramente, é balela. Sugiro que o Correio da Paraíba e outros jornais e revistas façam o mesmo. Tudo papo furado e quando dão dez chutes e acertam um, como o caso daquela tal que falou do desastre dos Mamonas e ficou famosa, passam a viver dessa glória, ganhando bons trocado para dizer bobagem. Muitas vezes nem são previsões claras, como no caso da mãe Diná, que só falou depois do acidente; são subentendidas e interpretadas, à conveniência de quem deseja acreditar. Do tipo das Profecias de Nostradamus, que podem ser analisadas de diversas formas.
O leitor quer coisas sérias e não tem mais tempo para ler besteiras. Vamos melhorar a imprensa brasileira.
Grande abraço e meus pêsames à vidente pela quantidade de chutes fora!…
1 – No Correio da Paraíba de 20 de dezembro de 2009, “a vidente das celebridades” volta a dizer que Lula sofrerá infarto, atentado ou acidente aéreo, antes do carnaval.
Vejam item 3 da previsão anterior. Ela insiste em matar o presidente e acabará acertando. Afinal as coisas que ele fala, as viagens que ele faz e o desgaste físico que seguramente ele tem, podem facilitar que ele morra de uma das três coisas previstas.
2 – Mandou o Lula fazer check-up e parar de beber. Será?
3 – O José Serra tem grandes possibilidades de ganhar a eleição. Claro, as pesquisas já informam.
4 – Quanto à Dilma, existe possibilidade que não se candidate. Afirma que ela nunca esteve doente. Pode provar?
5 – Quanto ao futebol, diz que o Brasil não chegará lá e que estarão muito bem Espanha, Portugal, Costa do Marfim e África do Sul. África do Sul terá de eliminar dois destes três adversários: França, México e Uruguai, para avançar à segunda fase. Será que vai dar?
Para que Portugal e Costa do Marfim sigam na disputa é preciso que o Brasil perca logo na fase inicial. Embora possível, porque o jogo é jogado e a bola é redonda, será que isso acontecerá?
6 – A maior gozação ela faz, porém, quando diz que o Corinthians vai ganhar a Libertadores. Só acredito vendo!
O pior é que os jornais dão esse espaço tão importante para publicar um amontoado de besteiras e nós os assinantes nos sentimos lesados. Que pena que a nossa imprensa não cresça!
Profecias que dizem de secas e chuvas, tremores de terra, etc. são tão ridículas quanto dizer que muitas pessoas morrerão nas estradas ou pelo mau atendimento nos hospitais ou ainda pela falta de saneamento na maioria dos municípios brasileiros. Será o mesmo que adivinhar que a corrupção no Brasil vai aumentar e a impunidade será total.
Não publiquem mais isso, senhores editores. Os grandes jornais e programas de TV já deixaram de fazer isso há muito tempo.
Pelo jeito, é tudo a mesma
coisa. 
Há em Brasília uma corte com 513 pessoas, de conceito e atividades duvidosas, e uma outra com 81 membros, igualmente em quem não se pode confiar.
Funciona assim:
Lá onde existem 513 pessoas, alguém resolve ter uma idéia e conta para os outros. Dão o nome de projeto de lei, como aquele do “painho” que trata de repor as perdas dos aposentados que foram roubados ao longo dos anos. Aposentaram-se dentro das regras contratadas enquanto contribuíam, mas o governo mudou quando chegou a hora de pagar o que devia. E para mudar é fácil. Existe um negócio chamado Medida Provisória, que de provisória não tem nada. Ferra a gente mesmo, e definitivamente.
Muito bem.
O “painho” contou para os outros a idéia que teve e eles escutaram, leram e deram palpite. Mas não foi assim na hora, não. Demoraram mais de cinco anos até que resolvessem dar uma resposta para o tal que teve a idéia e ainda deram alguns palpites para mudar umas coisinhas. Mas até acreditaram que a idéia era boa e justa. Aprovaram!
Aí precisa mandar para os outros 81 e perguntar se eles gostam da idéia. Eles deixam em banho maria por uns tempos, até que um dia, na falta de coisa melhor, como pré-sal, aumento dos próprios salários, verbas de representação, CPIs, etc., eles decidem ler e dizer que é bem legal a idéia do cara. Mas também dizem que tem umas coisinhas que precisam ser mudadas e então eles aprovam do jeito deles.
Como a idéias foi de um dos 513, a turma dos 81 tem de devolver para a outra casa para ver se eles concordam com o que eles mudaram. E assim como sanfona que vai e vem, que abre e fecha, finalmente eles chegam num acordo e votam. Criam uma lei para diminuir o sofrimento dos aposentados que veem seus salários sumindo a cada dia.
Mas pensam que está resolvido? Nada. Agora vai para um outro cara que manda em tudo e que se ele não gostar, principalmente porque a idéia não foi dele, ele faz um “xis” bem grande e joga fora aquele papel para que alguém o aproveite para outra finalidade. Ou o cara pensa que é o dono do país ou ele decide que os 594 que aprovaram o projeto são irresponsáveis e querem ferrar a nação. Nós votamos neles, mas eles querem que o Brasil se dane. É o que o outro dá a impressão.
Resultado: 513 e mais 81 caras, receberam salários por mais de cinco anos para resolver um problema que o outro cara joga no lixo porque não gostou da brincadeira. Tudo bem democrático, mas ele diz que está pensando no bem estar geral. Se ele aprovar o pais vai à falência; quebra. Mas aqueles 594 não sabiam disso? Precisam se atualizar!
Ele diz que não pode pagar o que deve porque senão o país vai ter problema. Mas quando nós temos que pagar impostos escorchantes, desonestos e desumanos, ele não pergunta se nós podemos pagar. Ou paga ou está perdido. E paga até o que não deve! Suja seu nome, penhora suas coisas e cria para você um monte de problemas. Só que o imposto foi ele quem fez e o que tem de pagar para nós, também foi ele que disse que seria daquele jeito. Só que o jeito mudou porque ele diz que não tem jeito!
Ser brasileiro é resgatar pecados. É queimar carmas milenares. E como nós acreditamos em reencarnação, devemos ter sido casca de ferida em outras vidas para ter de ser aposentado no Brasil. Pena que eles que pensam que tudo podem, não sabem que são candidatos a mendigos numa próxima vida. Serão os catadores de lixo e os pedintes das esquinas. Estão rindo?! Não perdem por esperar.
Aos 75 anos de idade, eu preciso de pouco para viver. Penso que eles não conseguirão tirar esse pouquinho que tenho para levar a encarnação até o túmulo. É o que espero. Depois, quero que todos explodam. Fiquem com a sua Amazônia e com o seu pré-sal e façam bom proveito. Fiquem com a sua inflação zero e fome 100…
Isso é democracia ou ditadura?
Cá entre nós: acredito que o cara que rasgou o papel vai, depois, dar uma ajudinha e aprovar alguns caraminguás para os desgraçados. Mas à moda dele para posar de pai da matéria. Afinal a eleição está aí e ele quer emplacar a moça da plástica!
Progresso ou retrocesso?
No meu tempo, e posso falar assim depois de viver setenta e quatro anos, o mundo andava mais devagar. A hora tinha de verdade sessenta minutos, o dia vinte e quatro horas e o ano trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas. Uma década durava dez anos e um século, cem. Isso no meu tempo!
O progresso no meu tempo, ia de bonde, de carroça, de ônibus. Nem de automóvel ele andava, antes do fim da segunda guerra mundial. Era um tempo em que uma guerra acontecia em 1914 e a outra em 1938. Tínhamos tempo para respirar. Agora elas acontecem de hora em hora. Basta ligar a TV para ver a guerra. Em qualquer canal, porque o mundo todo é uma guerra! Árabes contra judeus, traficantes contra pessoas desesperadas, motoristas contra pedestres, banqueiros contra clientes, governos contra contribuintes, Big Brother contra a sociedade, sequestradores contra os homens de bem, polícia contra a população, hospitais contra pacientes e quantas mais nos quisermos…
Não tínhamos internet, celular… Nem telefone desses comuns, os fixos, nós tínhamos. O primeiro que eu tive recebi vinte e cinco anos depois que pedi. E paguei caro em vinte e quatro prestações… Mas sobrevivi e não deixei de dizer nada do que precisava ou desejava, e não sofri de depressão. No meu tempo ela não havia sido inventada! Não falei pelo MSN ou pelo Orkut; falei olhando olho no olho. Dançava segurando a dama, de rosto e corpo colados, e assistia ao futebol. Aquele em que o jogador ganhava um corte de casimira ou um sapato de cromo se fizesse gol ou fosse o melhor do jogo.
Hoje não. A cada momento uma nova versão do Windows, o celular que manda i-meio, tem televisão, música, tira fotografia, envia torpedo e vai matando você, aos poucos, de radiação e estresse… Virou um adereço que rastreia você, onde estiver. E para tirá-lo de você, o bandido não titubeia em matá-lo. Ele também é louco por celular!…
Eu não tinha muitos amigos, mas eram reais. Podia abraçar e, se preciso, brigava de soco. Jogávamos com bolas de gude, futebol, empinávamos pipa e andávamos de bicicleta. Magrela, mesmo, não era bike… Os vírus eram os da gripe, sarampo, catapora. Não eram os trojan ou o cavalo de troia. As namoradas não eram virtuais… O preservativo não estava vulgarizado, transformando o sexo em banalidade inconsequente. Hoje, se não contrair doença e não engravidar, vai em frente! É a prioridade um da molecada. Estudar para ser gente, é só um detalhe… Tudo incentivado pelos pais. O menino deve ser um grande machinho, sarado, e a menininha uma modelo e manequim. Mesmo burrinha como se vê por aí.
Para sacar no banco ou pagar uma conta era com cheque ou dinheiro. Hoje tem os “card” que permite a você pagar depois. Mas se não tiver saldo, pobre de você. Juros de 150% ao ano, nos bancos mais generosos. No meu tempo era ao contrário. Você depositava dinheiro no banco e eles pagavam juros a você. Na conta corrente mesmo… Coisa de uns 6% ao ano. E nem havia inflação. Hoje para ter conta no banco você paga taxa de manutenção, paga pelo talão de cheque e para saber o saldo. Só não paga, por enquanto, para entrar no banco. Mas eles não querem que você entre. Por isso puseram caixas eletrônicas do lado de fora… Cliente que chega até o caixa é persona non grata. O curioso, se podemos chamar assim, é que já estão cobrando pelo uso da máquina eletrônica. Somos como o boi que vai para o matadouro. Criaram um roteiro de onde não podemos sair. Nem voltar!…
Para ir ao trabalho, tomávamos um ônibus. Carro só de praça ou de gente muito rica. O ar era bom de respirar e dava para marcar hora, e cumprir, porque a rua era vazia e a condução andava bem. Além disso, a vergonha era maior do que hoje e palavra era coisa séria. Quem prometia cumpria. Hoje a cara de pau é o normal na face das criaturas…
Mas o homem não sabe ser simples, nem se satisfaz com o trivial. Hoje ele usa sapato antiestresse, tênis que só falta fazer eletrocardiograma, com amortecedores para evitar impacto no joelho. As comidas são controladas por nutricionistas para saber do ABC das vitaminas e dos sais que entram no organismo. Ora a manteiga é ruim, ora o que faz mal é a margarina. Só pode comer diet, light, sem gordura transgênica, sem sal, 0% de colesterol, etc. E nunca houve tanta gente gorda, triste e doente como agora. A hipertensão está generalizada até mesmo nas crianças.
Neste mundo de tecnologia espacial, morremos de dengue, de tuberculose, de lipoaspiração, de doenças das coronárias, de malária e de maleita, de virose (nome genérico para tudo o que os médicos não sabem o que é), de depressão… Morremos também de raiva, de ódio, de rancor, impaciência e traição. O descaso e o abandono são também graves doenças provocadas pelo desamor. O egoísmo venceu a solidariedade e o orgulho derrotou a gentileza…
Nós estudávamos em grupo escolar. Sabíamos português, fazíamos redação, dissertação, narração com correta aplicação da gramática. Não tínhamos os corretores de textos da internet. Tínhamos que conhecer as regras e saber quando usar a ênclise, a próclise e a mesóclise. Hoje eles reformam a língua para tirar os acentos que ninguém sabe usar. Sabíamos de cor as tabuadas. Desde a do 2 até a do 9. Hoje todos usam calculadora até para multiplicar por 10 e fazer contas para saber o valor do troco. Quando não contam nos dedos e ainda erram na conta. Afinal, são apenas dez dedos. E usar os do pé é um tanto deselegante e desconfortável.
Atualmente, as fornalhas estão despejando na praça analfabetos com diplomas de nível superior. Não passam no exame da OAB e os das outras áreas, se forem examinados pelos Conselhos da sua profissão, terão a mesma sorte. A ideia é ter diploma universitário não para exercer a profissão que deveria ser a vocação do estudante, mas para fazer concurso público e alimentar-se na teta do governo, com salário acima da média, garantia de não ser despedido e aposentadoria com valores privilegiados. Nem precisa ser eficiente.
Hoje todos vivem inconformados. Mulher de peito pequeno quer implantar silicone. As de seios grandes querem operar para reduzir. Cuidam do bumbum, fazem peeling, lipo, plástica, colocam apliques, enchem-se de peças de metal chamadas piercing no lado de fora e no lado de dentro do corpo. Na língua e nas intimidades! Enchem seu corpo de desenhos e figuras com nome de namoradas e namorados que não duram uma semana. Uma autoagressão por onde penetram bactérias que vão causar doenças.
As pessoas estão amargas, arrogantes e só pensam em maquiar-se do lado de fora. Cada vez mais bonitas no exterior, embora artificialmente, e mais feias por dentro. Os concursos de beleza não premiam a mulher, mas a tecnologia. O troféu deveria ir para os cirurgiões e não para as misses. Só que elas não percebem que essa beleza é de curta duração. Vem a velhice, a degeneração, o acidente, a enfermidade e só vai restar o que houver na intimidade, nos acervos da alma. Se nada houver, então nada restará. Apenas uma embalagem vazia!
Os sentimentos foram esquecidos. A solidariedade fica para depois. Sai da frente do carro porque ele passa por cima de você. Os motoristas se esquecem que também são pedestres. Os jovens que não dão lugar para os idosos na condução, esquecem que ficarão velhos. Cada um cuidando de si. Ninguém dá um passo atrás para que o outro entre primeiro. O estoque de “obrigado”, “dá licença”, “por favor”, “desculpe”, esgotou-se na praça. Por isso eu pergunto, já que sou de outro tempo: houve progresso ou retrocesso? Tecnologicamente, dirão, é óbvio que houve grande progresso. Mas valeu a pena em prejuízo da existência com deterioração da qualidade de vida? Estamos vivendo melhor ou suicidando-nos de forma globalizada?
Em inúmeras oportunidades já nos informaram que o tempo na Terra é um mero estágio de aprimoramento espiritual. Se vamos levar só o que pudermos carregar, talvez fosse mais inteligente investir nos bens permanentes e não jogar tudo nos valores provisórios. Devíamos investir nos tais tesouros do Céu de que nos falou o orientador e Mestre Jesus Cristo. Seria bom se mais pessoas, inclusive os espíritas, acreditassem nisso!…
Ao finalizar esta análise, lembro-me do apreciado e lúcido escritor e filósofo Hubert Rohden, quando disse mais ou menos o seguinte: os bens provisórios não podem ser levados para a eternidade porque serão retidos como contrabando na fronteira entre os dois planos.
Tenho o privilégio de viver hoje entre esta louca humanidade, sem esquecer que vivi diferentes tempos que tinham um misto de dor e prazer. Se faltava o que comprar, mesmo para quem tinha dinheiro, sobrava um tempo que hoje não se tem mais. Víamos a noite chegar, brincando nas calçadas, conversando e formando a mesa do jantar com todos os familiares. Faltava recurso, mas sobrava convivência. Hoje, os recursos são mais amplos, mas nas casas em cada quarto há um departamento isolado e independente como uma seção autônoma de propriedade e gerência de quem ali vive. Com seu celular, TV e computador, de onde conversa com todo o planeta, esquecendo-se que no quarto ao lado moram seus pais e seus irmãos…
Neste momento de saudosismo, lembro-me do filósofo Ataulfo Alves: “Eu era feliz e não sabia!”
Octávio Caúmo Serrano, paulistano, contador, poeta e escritor, nascido em 1934, vive em João Pessoa desde 1997. Autor de sete livros entre prosa e verso. Recebeu o título de Cidadão Paraibano, conferido em 10/06/2005, e a Medalha Augusto dos Anjos, ambos por iniciativa do Deputado Rodrigo Soares.
NOTA – Texto publicado no livro Leituras Diversas – Crônicas, Ensaios e Contos, da Idéia Editora, lançado no SEBRAE – João Pessoa – PB em 26/08/09.
e aboliram o condicional…
Antigamente os verbos tinham certa conjugação que nestes dias foi atrofiada pelos marqueteiros. O futuro do indicativo ou do condicional desapareceu da gramática brasileira, embora eles tentem unificar o idioma para os diversos paises que o falam.
No meu tempo de escola primária nós dizíamos: Amanhã irei lá. Apenas um verbo. Hoje eles dizem: Amanhã estarei indo lá. Dois verbos.
Antes dizíamos: O evento se realizará entre 18 e 20 deste mês. Um verbo. Agora é assim: O evento estará sendo realizado entre 18 e 20 deste mês. Três verbos.
No condicional nos expressávamos da seguinte maneira: Ele prometeu que amanhã iria lá. Hoje, complicadamente, se diz: Ele prometeu que amanhã estaria indo lá. Amanhã lhe telefonarei, falávamos nós. Mas eles dizem: Amanhã estarei lhe telefonando. Em vez de “um momento, vou transferir a sua ligação” eles dizem: “um momento, vou estar transferindo a sua ligação.” Complicado e inútil, não é?
Esses modernismos imbecis alastram-se pelos jornais e revistas, desensinando o verdadeiro português.
Arrumaram, além disso, certas muletas linguísticas como através, que serve para tudo. O gol foi feito através do centroavante. Por que não pelo centroavante? Ele soube através do amigo. Não teria sido pelo amigo ou por intermédio do amigo?
Através só se usa para “através mesmo”. De uma vidraça, por exemplo; através do tempo; através do caminho. Fora isso é por, pelo, por meio de, por intermédio do, etc.
Outra muleta pernóstica é acontecer. O evento acontecerá no fim do mês. Se tem tempo certo, não acontece; será ou realizar-se-á. O evento será no fim do mês. O que acontece é algo inesperado: Vinha ele distraído quando aconteceu o acidente. O mesmo que quando se deu o acidente. Depois da tempestade, aconteceu a tragédia.
Já houve o tempo do a nível de, graças a Deus meio sepultado. O que lhe tomou o lugar foi com certeza. Essa expressão se usa tenhamos ou não certeza. Você vai ganhar na loteria? Com certeza. Seu time será campeão este ano? Com certeza. No dicionário está escrito: Certeza, aquilo que é certo; conhecimento exato; coisa certa; Certamente, decerto, evidentemente. Logo não se joga na loteria com certeza, mas numa tentativa.
É bonito, eles pensam. Na verdade, é conhecimento imperfeito do idioma e restrição na forma de expressar-se.
Enquanto reclamamos da ignorância do povo e da mídia, com certeza, eles vão estar falando através do rádio que o espetáculo vai estar acontecendo no dia 25. Se eles pensam que é bonito, quem sou eu para discordar…
Octávio Caúmo Serrano
Diz o ditado que quem planta colhe. Foi o que vimos com o jovem e competente piloto Felipe Massa.
Em 2007 meteu o pé no freio para seu parceiro na Ferrari ganhar e ferrar o inglês. O Hamilton perdeu por um ponto. Ele e o Alonso com 109 e o Kimi com 110. Mas dizem que as regras são assim. Isso não é considerado desonestidade, é jogo de “equipe”.
Se o que importa é ganhar, a qualquer preço, não tem que ficar bravo porque o Lewis Hamilton ganhou. Quis o destino, ironicamente, que fosse pelo mesmo 1 ponto que ele perdeu para mostrar que a vara que mede todo mundo é sempre a mesma.
Quando vemos o fanatismo do Sr. Galvão, torcendo para que o Brasil vença em tudo e todas mesmo que o outro quebre, morra ou enfie a cara no muro, ele esquece que chorou quando o Senna se foi. Nem sempre a manchete é na casa alheia. Há dias que também nós saímos nas tragédias da primeira página.
A lei da vida é a mesma para todos. Não conhece raças ou nacionalidades. Mas para o pessoal da Rede Globo só vale um resultado: Brasil na cabeça! A qualquer preço…
Parabéns ao Felipe Massa que mostrou ser um grande piloto e que tem um belo futuro na carreira. Não ganhou o campeonato porque teve um competidor de gabarito e porque a sua equipe fez várias lambanças em diferentes corridas, tirando-lhe o título que poderia ter sido conquistado com uma ou duas corridas de antecedência. Mas o jogo é jogado e as circunstâncias e a falta de lógica é que fazem a beleza do esporte.
Ele não tem do que se envergonhar. Foi tão vencedor quanto o inglês e deu muitas alegrias ao povo brasileiro que lotou Interlagos e vibrou com a sua vitória, de ponta a ponta, com quase 40 segundos sobre o Hamilton. Só é preciso humildade para reconhecer o valor do campeão!
Neste domingo, dia 26 de outubro, a bonita cidade de Campina Grande, na Paraíba se transformará em palco de guerra. O que deveria ser uma festa cívica virou uma batalha campal e de bastidores, pela ânsia do poder temporal que pode ser tirado a qualquer momento. Remember Ulisses, Tancredo, Magalhães, o novo e o velho, e uma imensa fileira de importantes imortais que estão sob sete palmos. E os que ainda lá não vivem, transportam-se todo tortos por andadores artificiais, que lhes dão os últimos recados para que se equilibrem e respeitem o próximo.
A ganância da incompetência que não pode sustentar-se por si própria obriga os homens a perenizar-se nos postos e poderes que lhes garantam a sobrevivência e o status dos quais são totalmente dependentes. Como os drogados da química eles estão presos às drogas da vaidade e dos ouropéis.
Vivemos numa terra que está abandonada, jogada às moscas, com a violência urbana grassando cada vez mais e o Brasil desloca tropas de exército para uma cidadezinha do interior de um estado de pequena expressão tentando garantir a ordem pública, porque a própria polícia do estado está incumbida de sufocar o livre exercício da cidadania. Que lugar é esse? É no mundo dos humanos ou na terra das bestas do apocalipse?
Senhor! Tenha piedade da ignorância destes e dá-lhes discernimento para que passem a pensar, não com o brilhantismo da inteligência fértil e mal canalizada, mas com o bom senso da simplicidade para que saibam quais os valores verdadeiros que precisam ser cultivados e postos em prática. Antes que seja tarde!
Que os céus protejam Campina Grande e toda a Paraíba, livrando-as das mesquinharias que emporcalham o progresso e entravam o desenvolvimento social e cultural de um povo inteligente e que tem tudo para se projetar no cenário nacional, pois já deu provas de sua capacidade tecnológica em diferentes áreas comerciais, industriais e científicas!


