O que relato é acontecimento
muito comum em cada sexta-feira.
Retrato dos bares, no momento,
numa cidade nortista, sulista ou mineira…
Juntam-se trabalhadores e trabalhadoras,
desocupados e desocupadas,
desiludidos e desiludidas
e os mal casados junto às descasadas!…
O que se vê, então, pelas calçadas
são cadeiras e mesas espalhadas,
cheias de cerveja, de queijinho,
tira-gosto, tempero, um salgadinho…
E rola papo, rola papo… e rola papo…
Nos lares,
estão reunidos os outros familiares…
A mãe, o filho, a esposa preocupada,
enquanto que na rua o outro goza
Uma descontração… des-com-pro-mis-sa-da!
É justo? Dizem que sim,
porque é desestressante
e é o que ajuda a prosseguir adiante,
já que ninguém resiste e fica calmo
quando chega em casa e ouve o choro
da criança e a mãe fazendo coro,
reclamando do trabalho que ela tem
para ensinar e alimentar o seu neném.
Enquanto isso,
No outro lado da vida, as almas se debatem,
porque viveram estagiadas pelos bares,
sem nunca se cuidar, e nos seus lares,
nunca se disse uma simples oração.
E hoje, cada uma ainda se nutre
através dos que estão na invigilância,
servindo-se, como faz o velho abutre
que se compraz na sua jactância!…
No dia em que os lares
forem freqüentados como os bares,
com as risadas e as alegrias dos beberrões,
a humanidade se terá salvado;
Os casais, harmoniosos, lado a lado
se nutrirão de mútuas atenções.
Já não haverá mais brigas e agressões,
viverão de bem o homem e a mulher;
junto a eles estarão o filho e a filha
e será fácil, então, pra quem quiser
ver comprovada a importância da FAMÍLIA!

Do livro “Luz no Túnel” – 1998

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