Por mais que ela insistisse, ele ficar não quis…
Nas juras que a amava, disse: -Ainda é cedo!
Terá de ter paciência e não ficar com medo,
Em breve aqui regresso e a farei feliz!…

-Camufle entre nos dois o bonito segredo,
Pois eu a quero tanto, doce genetriz…
É a mulher ideal para ser a matriz
De um tempo a apagar do meu passado azedo.

Em pranto, ele se foi; deixou nela um vazio;
No oco e triste ventre já não pulsa o cio…
Restou-lhe só tristeza no amargor da vida…

Mas guarda inda no seio, cheia de esperança,
O leite, nutriente para essa criança,
Que disse: -Eu volto em breve, espere mãe querida!

A história de um aborto espontâneo.

Do livro “O Grande Mar” – 2002

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