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Bem no alto da Canastra,
Serra de Minas Gerais,
Nasce o belo São Francisco
A mil metros, talvez mais
Traz bênçãos pra muita gente
Porque vai, desde a nascente,
Dessedentando os quintais.

São dois mil e novecentos
Os quilômetros que corre.
O rio vai serpenteando
Depois, no mar, ele morre
Mas antes de se juntar
À salgada água do mar
Muita gente ele socorre.

Logo depois de nascido
Forma um grande caldeirão
Chamado Casca da Anta
Que lhe faz  u’a divisão
Em duas seções navegáveis.
E com formas agradáveis,
Segue ao norte em direção.

O caudal do  São Francisco,
Da Usina das Três Marias,
Forma a bela Paulo Afonso,
Cachoeira da Bahia.
Segue depois, orgulhoso,
E bem tranqüilo e piscoso
Vai molhando as pradarias.

Quem olha junto ao seu curso,
Vê lavouras, muito gado,
Seja de leite, ou de corte
Pra ser comido ou exportado.
Os vizinhos desse rio
Jamais sentirão fastio
Porque é rio abençoado.

Após cortar a Bahia
Banhando muitas cidades
Lambe o sul de Pernambuco
Deixando alguma umidade
Prega um beijo em Petrolina,
E na viagem matutina,
Vai embora e deixa saudade. 

Antes de morrer divide
Sergipe de Alagoas
Onde há quem plante comida
E quem pesque de canoas.
No final, sempre romântico,
Joga-se feliz no Atlântico
Com borrifos de garoas.

Pena que há estados sofridos,
Que não têm a mesma sorte,
Pernambuco, Paraíba,
Ceará e Rio Grande do Norte.
Em face do seu tormento,
Rogam só cinco por cento
Das águas que vão pra morte.

Por vasos comunicantes
Terras iriam irrigar,
Viajariam por transferência,
Não se perderiam no mar
A seca seria mais mansa
E nasceria a esperança
De ali se poder plantar.

Os rios são patrimônios
De todos. É a natureza
Que o Pai, Criador bondoso,
Nos deu por delicadeza.
Presidente, por clemência
Bote a mão na consciência
O povo quer pão na mesa!
  

Não faz sentido um país
Que tem água em quantidade
Ver grande parte dos seus
Vivendo em dificuldade.
Se foi Deus quem fez o rio
Porque sentir calafrio
Por tanta dificuldade.

Um dia espero agradecer,
Para tanto me desvelo…
Mande um pouco desse azul
Eu rogo, insisto e apelo,
Acabe logo com as mágoas
Transpondo um pouco das águas,
No solo verde e  amarelo.

Um Brasil com eqüidade,
Bonito e  cheio de graça,
Terá irmãos nos seus filhos
Seja branco, preto ou aça,
Pois, pantaneiro e sulista,
O do sudeste e o nortista,
São todos da mesma raça. 
 

Livro “O Grande Mar” – 2002      

Mentira!
A paz que tanto divulgamos é a paz da preguiça, da festança e da baderna. A paz que respeita para que o outro também tenha paz ainda não existe no ser humano.
Um exemplo?
Estamos no mês de julho do ano de 2007 e no Rio de Janeiro realizam-se os jogos pan-americanos, um entrelaçamento de paz entre quarenta e dois paises que participam com suas modalidades esportivas, numa competição aparentemente saudável.
Aparentemente, porque se trata de uma verdadeira guerra. Só interessa a vitória e a qualquer preço.
Já no dia da abertura o Presidente da República foi vaiado a ponto de delegar a honraria de abrir os jogos ao Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, o Sr. Carlos Arthur Nuzman. Uma demonstração de incivilidade do povo carioca que confundiu o presidente com o símbolo do país que recepcionava os visitantes como cordial anfitrião. Mostraram para o mundo o povinho que nós somos.
Nem vale argumentar que o presidente lá está porque nós o colocamos na posição de mandatário maior, por duas vezes. Gostamos do que vimos nos primeiros quatro anos e decidimos repetir a dose. Mas nós somos levianos mesmo. Diante da mínima contrariedade jogamos tudo no lixo. Logo!…
Mas não parou por aí, para mencionar apenas mais um episódio, agora no Maracanãzinho.
Diante da possibilidade de uma ginasta brasileira conquistar uma medalha (bronze), o público que só sabe assistir a jogos de futebol, vaiava as americanas, senhoras absolutas da competição (ganharam as três medalhas), para que elas se descontraíssem e cometessem erros que beneficiassem a brasileira.
Não deu certo, nem quando uma menininha chino-americana caiu na saída do salto e o incivilizado público aplaudiu, gozando a desgraça de uma jovem semi-criança que carregava uma tonelada de responsabilidade em suas costas ainda frágeis.
Como alguém pode desejar a paz se a sua paz é conquistada com a guerra que trava com o concorrente e a sua paz deve independer do sucesso e da paz do outro. Utopia!…
A festa é bonita, os estádios estão modernos, a tecnologia avança e os atletas se dedicam, superando-se a cada dia!  Mas o povo, ah! nós o povo, continuamos o mesmo!…

Octávio Caúmo Serrano – Cadeira 20
Academia de Letras e Artes do Nordeste – Alane-PB

O acadêmico e seu patrono. 

O poeta Carlos Coêlho
Procurou-me, certo dia.
Queria  ter  o meu currículo,
Pois disse que indicaria
O meu nome para ser
Membro desta Academia.

Passados uns poucos meses,
Fizeram-me titular,
Dono da cadeira 20,
Tendo por patrono e par,
Seu Cristino Pimentel
De quem pretendo falar.

Agradeci comovido,
Mas dele eu nada sabia.
Comecei a pesquisar,
Pois se está na Academia
Certamente fazia jus
A essa nobre primazia.

Só agora sei um pouco
De Cristino Pimentel.
Que foi um autodidata
Sem chegar a bacharel,
Mas que semeou como poucos
Palavras sobre o papel.

À medida que o conheço
Mais eu fico admirado,
Por ver sua inteligência,
Mesmo não sendo formado,
Pois foi na escola da vida
Que ele fez  seu doutorado.

Foi conhecido e famoso
Na cidade de Campina
Grande, aqui na Paraíba,
Onde, cumpriu a sua sina,
Vinte e cinco longos anos
Vendendo fruta entre rimas.

Foi o dono d’ A Fruteira,
Cristino, o escritor cronista;
Reunia no seu negócio
Escritores, cordelistas,
Que, enquanto tomavam tragos,
Mostravam-se como artistas.

No dia primeiro de março
Do ano 53,
Foi encerrada  “A Fruteira”
Do poeta e do freguês
Que acabou pelo cansaço
Do próprio homem que a fez.

Com o tempo quero estudar
Mais da sua lucidez;
O seu livro do passado,
Escrito em 56,
E  “Os dois poetas”, de 50,
O qual eu já li uma vez…

Ajudou-me na pesquisa
Sobre a vida de Cristino,
Nosso Amaury Vasconcelos
E inda me trouxe o  destino,
Outro amigo de Campina,
O Edvaldo Laurentino.

Espero que no futuro,
Sem me alongar nesta hora,
Eu dê orgulho ao Cristino,
Homem que eu saúdo agora;
Sua alma há de brilhar
Sempre como brilha a aurora!

Ao patrono, aos leitores,
E a cada amigo preclaro,
Eu  prometo que, algum dia,
Falarei com mais preparo.
Sou grato pela atenção
Por este instante tão raro!…
  

Cristino Pimentel  

Nasceu em Campina Grande em 22 de julho de 1897 e faleceu em 31 de dezembro de 1971.

Autodidata, teve  alguns professores que o ensinaram a ler.Desde os nove anos de idade foi sapateiro (ofício que aprendeu com dona Pretinha) e ferreiro (orientado pelo seu Manoel Grosso). Assim ganhou a vida por algum tempo.

Trabalhou em várias casas comerciais, vendeu jogo de bicho e bilhetes de loteria,  até que decidiu  ter seu próprio negócio. Procurou local e encontrou, ironicamente, o andar térreo de uma casa desocupada pela prefeitura onde, 16 anos antes, ele iniciara a profissão de tipógrafo no jornal “Correio de Campina”.

Ali criou a sua famosa “A Fruteira”, inaugurada em 1 de março de 1928. A partir de 1933, passou a vender, além de frutas, bebidas, fumos, especiarias, doces, bolos, etc. Com o passar do tempo, Cristino ficou mais conhecido como cronista, pois escrevia desde 1934, o que atraia ao local do seu comércio os intelectuais, poetas, professores, artistas e boêmios.

Escrevia muito para o Diário da Borborema, O Norte e A Imprensa. Publicou quatro livros, o que são uma ínfima parcela da sua vasta produção literária: “Dois Poetas”, “Pedaços da História da Paraíba”, “Abrindo o Livro do Passado” (Volume 1), Pedaços da História da Paraíba (Volume 2).Em 1 de março de 1953, depois de 25 anos, A Fruteira encerrou suas atividades quando os poetas e os intelectuais em geral perderam seu mais importante espaço para lazer, divulgação dos seus trabalhos e exercício do intelecto.

Depois de sua morte, foi lançada mais uma obra de sua autoria: “Mais um Mergulho na História Campinense!” Deixou ainda outros trabalhos menos divulgados.

Esse foi Cristino Pimentel. Muito mais se poderia dizer dele. Mas como apresentação do patrono, penso que basta. É um orgulho para mim que ele me empreste o seu nome para valorizar-me como acadêmico. Que eu sempre faça jus ao que recebi. 

Hoje vou contar a história
Do primeiro boletim
Que a professora do Grupo
Entregou-me e disse assim:
-Leve ao pai, para assiná-lo,
E depois traga pra mim.

Esse era o primeiro mês
Das minhas notas na escola.
Com apenas sete anos,
Menino de boa cachola,
Eu gostava de estudar
E só depois jogar bola.

Logo que cheguei em casa
Dei ao pai o documento
E então pude observar,
Com meu olhar sempre atento,
Que ao assinar nem sabia
Como pegar no instrumento.

Ele nunca usou um lápis
E nem mesmo uma caneta.
Percebi que para ele
A situação ficou preta
Pois a caneta pesava
Muito mais que uma marreta.

Tentou escrever “otávio”
Quase furando o papel,
Que até sentia em sua boca
Um gosto amargo de fel…
-Porque, meu Deus, o meu filho
Não tem um pai bacharel?!

Depois de passado um tempo,
Ele conseguiu, por fim,
“Assinar” o tal papel
E então entregá-lo a mim,
Dizendo: -É a última vez
Que assino o seu boletim.

-O estudo é para você,
Você não estuda pra mim;
Se você for mal na escola,
Poderá sofrer no fim.
Portanto, é a você que cabe
Cuidar do seu boletim.

-Se quiser mostrar-me as notas
Eu vou gostar de saber…
Mas isso você decide,
Não é obrigado a fazer,
Pois importante é que saiba
Sempre cuidar de você.

A partir daquele dia,
Com responsabilidade,
Eu honrei o nome dele,
Demonstrei maturidade,
Pois sempre fiz minha parte
Com toda dignidade.

São quase sessenta e cinco
Anos que isto aconteceu
E já vão quarenta e nove
Anos que meu pai morreu,
Mas inda está viva em mim
A lição que ele me deu!

Existem Centros Espíritas aplicando normas radicais? 

Ao encontrar antigo conhecido, ele me contou:
“Procurei determinado centro espírita para freqüentar, assistir às palestras e estudar o Espiritismo. Desejava, também, engajar-me nos trabalhos e oferecer alguma colaboração.
Ao confidenciar minha intenção a um amigo, ativo participante do movimento espírita na nossa cidade, assim que eu disse o nome da instituição ele me desencorajou.Justificou sua opinião ao comentar que se tratava de um centro radical, muito exigente, cheio de normas e disciplina rigorosa. Seguramente, afirmou ele, eu não iria gostar. Não me adaptaria. Há atitudes que, na opinião dele, chegam a ser falta de caridade. Por exemplo, quando começam os trabalhos, até fecham a porta. Imagine!
Curioso para saber do que se tratava, dirigi-me ao tal  “centro radical”.
Logo à porta principal, deparo-me com um cartaz que proíbe a entrada de pessoas com roupas inadequadas, extravagantes, sensuais ou que tais.
Dirigi-me à recepcionista que me explicou sobre os trabalhos da instituição. Deu-me também um folheto do centro.
–Tome seu passe ali, por favor, e dirija-se ao salão, completou a atendente.Eles nos aplicam passe quando chegamos.
Recebi o passe e logo após nova atendente me ofereceu uma mensagem espírita e indicou o lugar onde eu deveria sentar. Pela ordem, um em seguida do outro.
Puxei conversa com o parceiro do lado, mas logo fui interrompido pela atendente do salão que me pediu silêncio. –Aqui não é permitido conversar enquanto esperamos a palestra. Por favor, leia a mensagem ou o folheto que logo começarão os trabalhos.
Observei ao lado, todos estavam calados. Parecia um cemitério. Ninguém falava com ninguém. Mas o clima espiritual me parecia agradável. Era um silêncio reparador. Foi o que senti.
No horário de começar os trabalhos fecharam a porta de entrada, conforme advertiu o meu amigo. Os trabalhadores foram para uma sala de passes e os demais ficaram no salão.
Depois da preparação com a prece inicial, iniciou-se a palestra e vi que as pessoas prestavam atenção. Palestrante comum, linguagem natural e simples, mas com abordagem correta da proposta doutrinária do dia, pelo pouco que eu conheço, é evidente.
Terminados os trabalhos, pediram que saíssemos em silêncio porque os atendimentos da casa, entrevistas e passes especiais, ainda continuavam.
Apesar de haver rigor na disciplina, não me pareceu exagerado. Afinal, somos adeptos de Kardec, um homem absolutamente disciplinado e rigoroso, e de Chico Xavier e Emmanuel, o mentor que recomendou ao médium que a disciplina era prioridade absoluta em qualquer trabalho.
Como cristãos, lembramos da passagem de Jesus em que ele censurava os fariseus, quando Pedro, preocupado com o rigor das palavras, ficou temeroso que todos fossem embora. No entanto, Jesus disse a Pedro que eles poderiam ir quando quisessem! E mesmo ele, Pedro, se desejasse, também podia ir com eles.
D
e Jesus, lembramos também que Ele expulsou os vendilhões do templo, embora, infelizmente, todos eles hoje estejam de volta nos diferentes templos, dos diferentes lugares, nas diferentes doutrinas.
Diz-se no Espiritismo que a qualidade é mais importante do que a quantidade. No tal centro que eu fui, penso que eles também acham isso, já que são tão rigorosos.
O Centro não estava vazio. O público, para o tamanho do salão, era até razoável. Ocupava de sessenta a setenta por cento das cadeiras. Sentados um ao lado do outro. Mas nada vi que desabonasse ou se caracterizasse como a falta de caridade insinuada pelo meu amigo.
Com desejo de conhecer melhor, voltei na semana seguinte e perguntei que outros benefícios o Centro me oferecia além da palestra. A mesma recepcionista repetiu o que já havia explicado na reunião anterior e disse que eu poderia passar pela entrevista. Pareceu-me boa oportunidade para perguntar sobre algumas coisas que para mim não ficaram muito claras. Deu-me uma ficha, sentei-me no salão e aguardei a vez.
No atendimento fraterno, nome que se dá a essa conversa ou orientação espiritual, perguntei à entrevistadora: –Por que temos de sentar um ao lado do outro e não no lugar que mais nos agrade?
Após alguns preâmbulos, explicou que é para que as pessoas
possam ficar descontraídas, meditar e ler, sem ser incomodadas pelo que chega depois. Como todos vão sair no mesmo horário, isso não faz diferença. Se o que vem primeiro senta na beirada, os outros irão incomodá-lo. Melhor sentar na primeira cadeira vaga e os outros logo em seguida.
Pareceu-me razoável.
–E por que fecham a porta ao iniciar a reunião, foi minha pergunta seguinte?
–Para que os trabalhadores também possam assistir à palestra sem ter de ficar à disposição dos que chegam habitualmente atrasados, e só querem receber o passe, e para que os retardatários não incomodem os que são pontuais nem perturbem o raciocínio do palestrante. Há os que imaginam que se vierem na última hora para receber o passe terão todo o atendimento de que precisam. Desconhecem que a palestra ensina e liberta encarnados e desencarnados que convivem e têm comprometimentos conjuntos.
Depois da explicação, pareceu-me que é uma forma de respeitar o próximo…
–E por que não se pode conversar, antes de começar a reunião propriamente dita, baixinho e discretamente?
–Porque tão logo adentramos o centro, os espíritos já estão cuidando de nós e também nos usando para ajudar quem precisa mais. Eles trabalham o tempo todo e não como nós, só com horário marcado. E a química e a manipulação dos fluidos é algo que ainda desconhecemos. Ademais, as conversas jamais seriam sobre o Evangelho ou a Doutrina e sim sobre os problemas que ficaram do lado de fora. A reunião espírita é uma pausa na correria do dia-a-dia. É momento para serenar-nos.
Nunca havia pensado dessa forma, mas agradeci pela explicação.
Quanto às roupas, nem perguntei, porque concordo que para cada lugar temos de usar a vestimenta própria. E se falamos de espíritos inferiores, tanto nós como os desencarnados, a sensualidade não nos ajuda a libertar-nos do atraso. É algo elementar e bem fácil de entender.
Como os rigores de que falou o meu amigo não me incomodaram nem invalidaram o trabalho que eles fazem, creio que eles têm o direito de dirigir a casa conforme desejam os responsáveis. Se no movimento espírita diz-se que o dirigente é o guardião da doutrina dentro do centro e que a causa é mais importante do que a casa, faz sentido o jeito como eles administram a instituição.
Logo que saí da entrevista, lembrei-me do orador José Raul Teixeira. Ele prega que não devemos trazer para o Centro Espírita os hábitos da rua, mas levar para a rua o que aprendemos no Centro Espírita. Só assim ajudamos a melhorar a sociedade.
Tenho voltado ao centro, apesar de radical, pois me sinto bem enquanto estou dentro das suas quatro paredes. Respira-se disciplina e harmonia e já estou até me habituando às normas da casa.
Como tenho aprendido muita coisa, vou ficando por ali.”   

Texto de Octávio Caúmo Serrano, publicado na RIE – Revista Internacional de Espiritismo, de Novembro de 2006.     

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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