Octávio Caúmo Serrano – Cadeira 20
Academia de Letras e Artes do Nordeste – Alane-PB

O acadêmico e seu patrono. 

O poeta Carlos Coêlho
Procurou-me, certo dia.
Queria  ter  o meu currículo,
Pois disse que indicaria
O meu nome para ser
Membro desta Academia.

Passados uns poucos meses,
Fizeram-me titular,
Dono da cadeira 20,
Tendo por patrono e par,
Seu Cristino Pimentel
De quem pretendo falar.

Agradeci comovido,
Mas dele eu nada sabia.
Comecei a pesquisar,
Pois se está na Academia
Certamente fazia jus
A essa nobre primazia.

Só agora sei um pouco
De Cristino Pimentel.
Que foi um autodidata
Sem chegar a bacharel,
Mas que semeou como poucos
Palavras sobre o papel.

À medida que o conheço
Mais eu fico admirado,
Por ver sua inteligência,
Mesmo não sendo formado,
Pois foi na escola da vida
Que ele fez  seu doutorado.

Foi conhecido e famoso
Na cidade de Campina
Grande, aqui na Paraíba,
Onde, cumpriu a sua sina,
Vinte e cinco longos anos
Vendendo fruta entre rimas.

Foi o dono d’ A Fruteira,
Cristino, o escritor cronista;
Reunia no seu negócio
Escritores, cordelistas,
Que, enquanto tomavam tragos,
Mostravam-se como artistas.

No dia primeiro de março
Do ano 53,
Foi encerrada  “A Fruteira”
Do poeta e do freguês
Que acabou pelo cansaço
Do próprio homem que a fez.

Com o tempo quero estudar
Mais da sua lucidez;
O seu livro do passado,
Escrito em 56,
E  “Os dois poetas”, de 50,
O qual eu já li uma vez…

Ajudou-me na pesquisa
Sobre a vida de Cristino,
Nosso Amaury Vasconcelos
E inda me trouxe o  destino,
Outro amigo de Campina,
O Edvaldo Laurentino.

Espero que no futuro,
Sem me alongar nesta hora,
Eu dê orgulho ao Cristino,
Homem que eu saúdo agora;
Sua alma há de brilhar
Sempre como brilha a aurora!

Ao patrono, aos leitores,
E a cada amigo preclaro,
Eu  prometo que, algum dia,
Falarei com mais preparo.
Sou grato pela atenção
Por este instante tão raro!…
  

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