O mapa da Paraíba
É um mimoso cachorro
Correndo que só danado
Descendo e subindo morro
Gritando, olhando o sertão
– Me ajude, peço socorro.

Se não é cachorro é coelho
De orelha um pouco de pé
Onde se vê Jericó
Paulista e Catolé
Do Rocha com sua beleza
Na orelha voltada a ré

Pode ser que seja um jegue
Procurando uma pastagem
Os olhos são em Coremas
E Cajazeiras. E a viagem
Mostra muitas coisas duras
Porque é grande a estiagem

Quem sabe não é um bezerro
horando a morte da vaca
Quando viu o retireiro
Levando sua mãe de maca
Pra Monteiro, pra Sumé
Ou mesmo Congo, na pata.
 

Focinho tá no sertão
Bem perto do Ceará
Ibiara, Conceição
Onde a água não há
Só mesmo o São Francisco
Pra regar terras de lá.
 

Se olharmos só mais um pouco
Este formato animal
Vemos na testa que há Souza
E a cantada Pombal
Santa Cruz e Uiraúna
Bem longe da Capital.
 

Pela garganta ou pescoço
Onde se tem macaxeira
Taperoá, Livramento
Tem Patos e tem Teixeira
Onde nasce quem faz verso
E onde Elizethe é primeira.

Coração está no agreste
Batendo na Borborema
Onde o clima é menos duro
E a seca um pouco amena
Esta é uma bela zona
Da Paraíba pequena

Na barriga do animal
Itabaiana e Pilar
Ingá e Juarez Távora
Todas bem longe do mar
Com Umbuzeiro e Aroeiras
Pra barriga completar.

No seu lombo fica o brejo
Da cana e do abacaxi
De Areias e Guarabira
De Sapé e de Mari
Tem Esperança e Solânea
Bananeiras fica ali.

Nova Floresta e Picui
Ficam na parte de cima
Onde a costela aparece
E onde se encontra Tacima
Araruna e Cuité
Com variedade de clima

Olhem a pata traseira
Tem uma unha sem pelo
Tem Jacumã, tem o Conde,
Mas a unha é Cabedelo
Mirem com muito cuidado
Só assim se pode vê-lo.

Tem Lucena e a Traição,
No traseiro do animal,
E tem a Ponta de Seixas
Desse belo litoral
Cantado em prosa e verso
É o Brasil mais oriental.

Mais que miséria, o problema
São tolas rivalidades.
Campina e João Pessoa
São duas grandes cidades
E enquanto seus donos brigam
Sofrem as comunidades.

É preciso que este povo
Tenha amor, muita união,
Ninguém se sinta inferior
Porque é de Deus o sertão
E se o sul é mais rico
Tem muito mais confusão.

Desculpe ter comparado
Esta nobre Paraíba
A um pequeno bichinho
Indo pra baixo e pra riba
Mas eu sei que ela é nobre
Como é o pinho-de-riga

Quando eu olho e vejo o mapa
Eu sinto no coração
No bichinho que a retrata
Meu bicho de estimação,
E esse eu levo no colo
Com muita satisfação.

Do Livro “O Grande Mar” – 2002

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