You are currently browsing the daily archive for terça-feira, 28 agosto, 2007.

Deus fez do barro um boneco
Soprou e nasceu Adão
Tirou dele uma costela
Sem fazer operação
Dela fez sua companheira
Foi Eva, a mulher primeira,
E nasceu a confusão…!

O Criador disse a ele:
-Trate Eva como irmã.
Mas Adão, muito ansioso,
Logo avançou na maçã
E pela falta de juízo
Perdeu o seu Paraíso
Pra viver vida pagã.

Casou-se então com a Eva
Tiveram Caim e Abel
É o que nos diz a Bíblia,
Está escrito no papel.
Mas Caim matou o irmão
Numa covarde agressão
E começou a babel.

A história é meio esquisita
Não segue linha nem fio,
Se só havia Adão e Eva
Mais Caim, formando o trio,
Não entendo, sem maldade,
De onde vem a humanidade,
Se o mundo estava vazio.

Uns versículos abaixo,
Diz a Bíblia que Caim
Largou de vez a família
E foi se encontrar por fim
Com uma mulher, se casando,
E Henoc procriando,
Mas não me convence a mim

Se o mundo só tinha os três
Caim, mais Eva e Adão.
Onde encontrou a mulher
O assassino do irmão ?
Esse conto é alegoria,
Não passa de fantasia,
Conversa de religião.

Adão foi representante
Eu penso, de uma das raças,
Mas outras também viviam
Muito longe, noutras praças.
Caim casou com a estrangeira,
Que era, da mesma maneira,
Como Eva, cheia de graça.

Tem homem de todo jeito:
Tem preto, branco e amarelo,
Tem uns que são muito feios,
Mas outros que são tão belos;
De onde veio tanta gente
De rosto e cor diferente
Se digladiando em duelos.

A Terra não começou
De Adão e Eva somente
A raça humana nasceu
De muitas outras sementes
Atlantes, lemurianos,
Gente como os arianos,
Mas um pouco diferentes

Seis mil anos se passaram
Desde que Adão nasceu
Ou foi feito pelo Pai
Que o soprou, depois cresceu.
É pouco tempo esse prazo,
Nada se faz por acaso
Nem o cristão nem o ateu.

O que houve são cruzamentos
Dando raças derivadas,
Juntando branco com preto
Nascendo miscigenadas
As nossas belas mulatas,
Todas elas autocratas
Na ginga e na rebolada.

Eu sei que vêm de outros mundos
Para aqui crescer as almas,
Porque todas são de Deus
E todas recebem palmas,
Pois sempre temos recurso
Pra acelerar o percurso
Se mantivermos a calma.

Só pra fechar esta história
De ficção, sem sentido,
Deixo aqui meu desaponto
Por não haver compreendido
De onde veio tanta gente,
Sem ser amigo ou parente,
Embora digam ter sido.

Do Livro “O Grande Mar” – 2002

 Sou fruto do meu passado,
Carrego n’ alma os pecados
Dos tempos que fui criança.
Em meu ser vou me somando,
Crescendo,  me acumulando,
Como herdeiro e como herança!

 Não digo só do menino,
Quando era pequenino
Ainda cheio de esperança,
Pois já fui rei, fui mendigo,
Em outros tempos antigos,
Como herdeiro e como herança!

Que trago conhecimentos,
Que não são grandes talentos,
Mas fiz parte da aliança.
Junto a Moisés, fiz o pacto,
Tudo aprendi, é um fato,
Como herdeiro e como herança!

 

  Vou destemido na vida,
Dou e recebo guarida …
São os pratos da balança:
O do bem é o do mal,
O do erro e o da moral,
Como herdeiro e como herança!

 

Recordo o sermão do monte,
Eu bebi daquela fonte
Toda bem-aventurança,
Lembro o que ensinou Jesus,
“Brilhe sempre a vossa luz”,
Como herdeiro e como herança!

Agora já mais sabido,
Mais humilde, evoluído,
Compreendo essa cobrança,
Luto para ser um homem,
Que só de amor sente fome,
Como herdeiro e como herança!


Nos arraiais do planeta,
A coisa ficou bem preta,
E a humanidade já “dança”.
Como já estou meio velho,
Me pego no Evangelho,
Como herdeiro e como herança!

Para ter direito a ir
Para o céu, vou prevenir
E dar carta de fiança.
Vou fazer o bem constante,
Só assim caminho adiante,
Como herdeiro e como herança!
 

Não está claro na retina,
Nem conheço a minha sina,
É confusa esta lembrança.
Mas sei que sou milenar
E um dia a Deus vou chegar,
Como herdeiro e como herança!

Já não tenho ódio em mim
E posso viver por fim
Sem desejos de vingança.
Já progredi um pouquinho,
Pois cresço devagarinho,
Como herdeiro e como herança!


O progresso é muito lento,
O tempo vai como o vento,
Por isso é pouca a mudança.
Mas em algo já mudei,
Não erro mais como errei,
Como herdeiro e como herança!

 
Aprendi com nosso Mestre,
Nas suas andanças silvestres,
Que de Deus sou semelhança.
Pois sou seu filho querido,
Nunca serei esquecido,
Como herdeiro e como herança!

Do Livro “O Grande Mar” – 2002

 

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
agosto 2007
S T Q Q S S D
« jul   set »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Leituras

  • 58.820 poetas

Entre com seu email para assinar este blog e receber notificações de novos artigos postados.

Junte-se a 31 outros seguidores