Deus fez do barro um boneco
Soprou e nasceu Adão
Tirou dele uma costela
Sem fazer operação
Dela fez sua companheira
Foi Eva, a mulher primeira,
E nasceu a confusão…!

O Criador disse a ele:
-Trate Eva como irmã.
Mas Adão, muito ansioso,
Logo avançou na maçã
E pela falta de juízo
Perdeu o seu Paraíso
Pra viver vida pagã.

Casou-se então com a Eva
Tiveram Caim e Abel
É o que nos diz a Bíblia,
Está escrito no papel.
Mas Caim matou o irmão
Numa covarde agressão
E começou a babel.

A história é meio esquisita
Não segue linha nem fio,
Se só havia Adão e Eva
Mais Caim, formando o trio,
Não entendo, sem maldade,
De onde vem a humanidade,
Se o mundo estava vazio.

Uns versículos abaixo,
Diz a Bíblia que Caim
Largou de vez a família
E foi se encontrar por fim
Com uma mulher, se casando,
E Henoc procriando,
Mas não me convence a mim

Se o mundo só tinha os três
Caim, mais Eva e Adão.
Onde encontrou a mulher
O assassino do irmão ?
Esse conto é alegoria,
Não passa de fantasia,
Conversa de religião.

Adão foi representante
Eu penso, de uma das raças,
Mas outras também viviam
Muito longe, noutras praças.
Caim casou com a estrangeira,
Que era, da mesma maneira,
Como Eva, cheia de graça.

Tem homem de todo jeito:
Tem preto, branco e amarelo,
Tem uns que são muito feios,
Mas outros que são tão belos;
De onde veio tanta gente
De rosto e cor diferente
Se digladiando em duelos.

A Terra não começou
De Adão e Eva somente
A raça humana nasceu
De muitas outras sementes
Atlantes, lemurianos,
Gente como os arianos,
Mas um pouco diferentes

Seis mil anos se passaram
Desde que Adão nasceu
Ou foi feito pelo Pai
Que o soprou, depois cresceu.
É pouco tempo esse prazo,
Nada se faz por acaso
Nem o cristão nem o ateu.

O que houve são cruzamentos
Dando raças derivadas,
Juntando branco com preto
Nascendo miscigenadas
As nossas belas mulatas,
Todas elas autocratas
Na ginga e na rebolada.

Eu sei que vêm de outros mundos
Para aqui crescer as almas,
Porque todas são de Deus
E todas recebem palmas,
Pois sempre temos recurso
Pra acelerar o percurso
Se mantivermos a calma.

Só pra fechar esta história
De ficção, sem sentido,
Deixo aqui meu desaponto
Por não haver compreendido
De onde veio tanta gente,
Sem ser amigo ou parente,
Embora digam ter sido.

Do Livro “O Grande Mar” – 2002

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