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A falta de serviço e a deficiência cultural das pessoas, leva-as a buscar soluções que possam acomodar a comunicação ao analfabetismo.

De quando em vez, os donos do idioma português decidem fazer reformas para que as pessoas errem menos quando falam ou escrevem. No passado, entre outras reformas, já aboliram o acento grave dos advérbios terminados em mente e derivados das proparoxítonas, como tecnicamente, que se escrevia tècnicamente. Tiraram também os acentos dos homônimos e homógrafos.

Alguns foram mantidos, como pôde e pode, pára e para, pôr e por, para citar alguns exemplos. A dificuldade para decorar exceções é maior, às vezes, do que conhecer as regras.

Agora vão tirar o trema e certos acentos circunflexos em vogais dobradas. Muito mais difíceis são o uso de vírgula, dois pontos, ponto e vírgula, hífen, aspas, saber se a palavra é com “j” ou com “g”, com “ç” ou “ss”, com “x” ou com “z”. Se a idéia é facilitar, vamos abolir todas essas conseqüências nascidas da origem latina do nosso idioma.

Já pensaram se os americanos decidissem atualizar a língua deles pelo inglês ou, o pior, vice-versa. Seria obrigatório aos aristocratas londrinos dizer I’ll e não mais I will; I d’ont e não mais I do not. Mas eles não se preocupam com isso porque tem mais coisas a fazer.

Unificar a língua entre todos os povos que a falam é uma utopia. O português usa muito o som aberto. Para nós é comboio e para os lusitanos combóio. A fila para nós é a bicha para eles; a latrina para nós é retrete para os portugueses. E nunca vai mudar.

Em Portugal praticamente não se usa o gerúndio, que no Brasil é coloquial e erudito. Nós dizemos “eu estou fazendo”, enquanto nossos irmãos d’além-mar dizem “estou a fazer”.

Os idiomas brasileiro, angolano, timorense e outros, têm suas próprias características porque foram adaptados à linguagem popular, transformando-se, praticamente, em dialetos.

Cada país tem seus próprios dialetos no mesmo povo. No Brasil o português do sulista não é o do nordestino. Enquanto no sul dizemos “botou pra quebrar”, no nordeste se diz “botou pra torar”. A abóbora do sul é o jerimum do nordeste; o curau do sul é a canjica do nordeste enquanto que a canjica do sul é o mugunzá ou munguzá nordestino.

Em Portugal existe o português do continente, o trasmontano, o da ilha da Madeira, o dos Açores; na Espanha, o espanhol, o basco, o catalão, etc. O mesmo acontece na Itália, na Holanda e em quase todos os países do mundo.

Há coisas muito mais importantes a fazer do que destruir dicionários, fazer novos livros didáticos e criam despesas que dificultam a chegada das letras aos interessados.

O importante não é tirar o trema ou o acento circunflexo de meia dúzia de palavras. O importante é que as pessoas possam se comunicar e que os veículos que fazem esse trabalho sejam mais bem escritos, com menos erros e que sirvam de estímulo para a aculturação dos leitores.

Deixem de inventar modas e dediquem-se a coisas sérias.

Essa é uma iniciativa de desocupados e só vai dificultar a vida das pessoas que já conhecem tão pouco o idioma e acabarão por saber menos ainda.

O que produz uma laranja é a laranjeira
E o abacate nasce de um abacateiro,
Como o caju que é fruto só do cajueiro
E uma pitanga que dá sempre em pitangueira

A natureza mostra sempre disciplina
O que permite-nos saber com antecedência
De cada coisa a sua verdadeira essência,
Em cada tempo descobrir seu próprio clima.

A gravidez demora sempre o mesmo tempo,
São nove luas para então nascer o feto,
Embora, às vezes, chegue o filho tão dileto
Pouco mais cedo, por razões de um contratempo.

Nascido um homem, depois vem uma mulher,
Nova donzela e logo após mais um varão,
Esse equilíbrio só se rompe quando não
São respeitadas as leis normais. Logo é mister

Que o nobre ser jamais agrida a natureza,
Nem a maltrate, para ter vida moderna,
Porque ela há de se vingar, passar-lhe a perna,
E o homem irá dar-se bem mal, tenham certeza.

Se com seu lixo ousar alguém sujar um rio,
Fazer esgoto de uma água cristalina,
Ela reserva do que existe em sua mina
E espera, calma, que o humano caia frio.

Depois de livre desse verme irracional
Volta a reagir, retoma o ciclo, e, novamente,
Põe outra água, até mais limpa, na corrente,
Enquanto vai se decompondo esse anormal.

A ecologia sempre nos pede respeito
Para os seus reinos, que são todos naturais,
Pedras e rios, flores, plantas e animais,
Pois são de Deus, do seu amor, tudo perfeito.

Quando estivermos conscientes da verdade,
Não se verá mais agressões à natureza,
A cuidaremos, pois, teremos a certeza,
Que é patrimônio desta louca humanidade.

Depois de ler o título acima, claro, você não se surpreendeu. Afinal, muitos eleitores são réus e nem por isso deixam de votar.

Mas você não entendeu o que eu disse, ou não me expressei corretamente: falo do réu que vota em processo no qual ele mesmo está em julgamento. Não acredita que isso exista? Pois então você não ouve rádio, não lê jornal nem vê televisão. Isso é habitual no Senado Federal da República Federativa do Brasil e em outros respeitáveis recintos. Acontece não só no côncavo, mas também no convexo e nas belas torres gêmeas que assessoram as duas arenas. 

Lá, eles fazem uma sessão secreta e votam escondido como o que manda uma carta anônima por falta de coragem de se identificar. Ou porque pretende chantagear. Dão o resultado e ninguém pode conferir se foi verdadeiro. Afinal, não permitem testemunhas e eles não merecem crédito.

O engraçado é que o réu ainda faz gozação com os que o entrevistam. Ao ser perguntado, um deles respondeu que ele foi um dos que abstiveram na votação. Não foi contra nem a favor, embora ele próprio fosse o réu. Pareceu-nos, inclusive, coerente, porque nem ele tem certeza de que deveria ser absolvido embora insistisse em se considerar inocente. Mais por autodefesa do que por convicção.

Já que isso lhes é garantido pela carta magna, e todos são iguais perante a lei, penso que o Sr. Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, o Sr. Salvatore Cacciola, o Sr. Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, os estrangeiros do narcotráfico e mesmo os apenados de nomes inexpressivos, se é que todos são realmente iguais perante a lei, deveriam ter todos os mesmos direitos.

Eu pensei que na altura dos meus setenta e três anos já havia visto tudo. Todavia, a cada dia me surpreendo com situações que eu jamais poderia imaginar que fossem possíveis. Como esta, quando um réu pode imitar a deusa grega Palas Athena (Minerva para os romanos), ao julgar o crime de matricídio cometido por Orestes, proferindo o voto de desempate e salvando a cabeça do criminoso. No caso presente, a própria pele.

O que eles garantem, porém, é que tudo foi feito de maneira legal. Conforme previsto na Constituição Federal, aquela mesma que eles fizeram e que nunca vigora para defender o desgraçado, mas que tem artigos estratégicos para defender os fazedores de lei. É legal, mas imoral. E ponto final.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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