Faremos alguns comentários sobre assuntos absolutamente simples, mas que medem a civilidade de um povo.

No trânsito, por exemplo, identificamos facilmente os homens e as feras, por suas atitudes. Os primeiros são solidários; as feras transitam sempre pelas vias preferenciais, porque preferencial é a rua por onde elas passam. Nunca facilitam a vida de ninguém. São egoístas e prepotentes!

As auto-escolas, além de ensinar que devemos sair em primeira marcha e só depois passar para as seguintes, deveriam informar algo mais, igualmente importante. Dizer, entre outras coisas, que o veículo está equipado com uma série de acessórios que, inclusive, elevam o seu preço e têm de ser utilizados. Ensinar que não se deve, por exemplo, fazer conversões sem dar sinal de luz.

Outra recomendação que contribuiria para diminuir o estresse do tráfego é o respeito aos cruzamentos. De nada adianta avançar dois ou três metros e impedir a livre passagem do que está no outro sentido. Mais do que regular-se pelas leis, o trânsito deve ser regido pela solidariedade. Usar direitos ferindo direitos alheios, em nada contribui para a harmonia do conjunto. Quem não respeita não merece ser respeitado!

O mesmo se dá no caso das greves, um direito muito mal usado. E não cogitamos aqui se os grevistas têm ou não razão. Apenas analisar que é um jeito malvado de reivindicar direitos.

Param os médicos por melhores honorários, sem se importar com a dor e a doença do semelhante. Paralisa-se o transporte público para agredir o governo, mas quem sente na pele é a população que fica a pé. Os carteiros interrompem a distribuição de correspondência onerando devedores ou credores por juros de atraso no pagamento. Que direitos mais bestas!

Neste último caso, as perspectivas são sombrias. Instrui-nos o Procon que cada um deve procurar os seus direitos. Claro!. O contribuinte que trabalha metade do ano só para pagar tributos, deve ser um desocupado que pode, na falta de coisa melhor, ir tomar chá de cadeira no Procon. E observem que os carteiros querem reposição salarial de quase cinqüenta por cento. Ah!, se os aposentados pudessem fazer greve, pediriam reposição de mais de quinhentos por cento pelos roubos que sofreram através do tempo. Mas eles só podem fazer greve na hora de votar!… Se é que um dia vão acordar e se decidir…

O trágico é que vivemos num país onde o supremo mandatário foi o grande professor das paralisações no ABCD paulista, deu à luz os piquetes que agridem aqueles que discordam do movimento e invadem empresas, afrontando os locais de onde tiram a própria sobrevivência. Portanto, não está confortável para enfrentar o problema.

Está na hora de revermos a nossa constituição de modo a que os direitos de um não atropelem os do outro. Hoje, como acontece com o presidente, estamos do lado de cá. Amanhã, poderemos estar do lado de lá.

Pela constituição, os trabalhos essenciais não podem ser totalmente paralisados. Deve haver um mínimo de trabalhadores para que o serviço não pare totalmente. Mas quem é que liga para a constituição?

Para termos um mundo de paz será preciso construí-lo. Por milagre, como há muito todos esperamos, ela nunca chegará!

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