A falta de solidariedade entre os homens faz com que os bancos de sangue estejam sempre com falta de estoque. Especialmente os mais raros. Têm menos receptores, mas também menos doadores.

O problema, e dizemos isso sem nenhum conhecimento técnico do assunto, parece estar na falta de planejamento e na acomodação dos responsáveis pela coleta do material.

Por que o governo não remunera de alguma maneira o doador? Muitos operários, saudáveis e sensíveis, gostariam de doar sangue. Acontece que eles terão de faltar ao trabalho, perder tempo, gastar com transporte, dinheiro que nem sempre têm, e como recompensa, eles recebem, quando muito, um copo de leite.

Se o governo tirar o traseiro das confortáveis cadeiras e deixar as refrigeradas salas dos centros de saúde e se dirigir a locais onde possa coletar sangue, seguramente os doadores aumentarão.  Ambulâncias com enfermeiras poderiam ir aos postos de arrecadação de sangue, previamente selecionados.

Por que não visitar fábricas, com aviso antecipado, para cadastrar os que desejam doar? Por que não ir às câmaras municipais e às assembléias estaduais, onde estão os que tiram o sangue do povo, e tirar um pouquinho do sangue deles? Igualmente nas casas do legislativo federal, nas salas do executivo e mesmo do judiciário, nas universidades, nos clubes,  nas sociedades amigos de bairro… Eles têm muito sangue e, geralmente, sangue quente! Até mesmo os presidiários poderiam ser fornecedores, com redução de um dia de pena para cada doação.

O que não pode é o governo arrancar o sangue do povo e depois vender por baixo do pano, como sempre é denunciado.

Outra sugestão? Ofereçam um ingresso para um show de artista famoso a quem doar sangue. Outro ingresso para uma partida de futebol importante. Como o governo gosta de levar vantagem em tudo, é o maior apologista da Lei de Gerson,  se o doador levar também uma quirera, vai se animar. Talvez até acabe se acostumando e passe a doar espontaneamente.

É muito cômodo fazer campanha de graça em horário nobre de TV, receber repórteres, com filmagem e tudo, para reclamar da insensibilidade do povo que deixa as geladeiras de sangue esvaziadas, posando de benemérito da humanidade. Mas como qualquer esforço é um trabalhinho, melhor reclamar do que trabalhar. Certo?

Ao trabalho, senhores! Enfrentem o marasmo!

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