Sentado feito imbecil
Com um controle remoto,
Transito de próprio moto
Numa atitude pueril,
Embora eu já bem senil,
Com o dedo meio gasto,
Como um burro eu olho o pasto
Na tela em cada canal,
Nessa demência global
Onde tenho o meu repasto.

Esse vício contagioso
Camuflado de lazer,
Impede-me de aprender
Porque me deixa ocioso,
Dá-me a impressão que é um gozo
E em vez de ler algo sério,
Eu me rendo a esse império,
Sem dar bom proveito às horas…
Porque a mídia me devora
Num  marasmo deletério.

Rodando hora após hora.
Do 2 ao 67,
Vejo violência e vedete,
Gente que mente e nem cora.
Na TV que nos explora,
Canal aberto ou fechado,
Vejo os podres do Senado,
Perco horas todo dia,
Sofrer já virou mania,
Sinto-me hipnotizado.

-Quem foi que matou Taís?
O mundo inteiro pergunta,
Enquanto essa mídia ajunta
Muito palpite infeliz…
Porém o que ninguém diz,
É quem matou a cultura,
Transformou as criaturas
Em seres robotizados,
Idiotas globalizados
Cavando sua sepultura.

Anúncios