Ai que coisa esquisita que é o repente,
Quando alguém me convida pra cantar,
Se nem mesmo a viola eu sei tocar;
Como vou encarar toda essa gente
Que me olha e que ri mostrando os dentes
Perguntando: – O que faz esse atrevido
Que no meio de nós tem-se metido,
Querendo se mostrar, irreverente?
Ai que coisa esquisita que é o repente!
Se pra gente ele é um desconhecido…

Ai que coisa esquisita que é o repente,
Mas não posso correr desse convite
Pois percebo que querem que eu imite,
O que faz o poeta competente;
Mas não tenho talento em tal vertente,
E nem estou me fazendo de rogado.
Só não quero pôr verso pé-quebrado,
Que não tem nem beleza nem cultura,
Como fruta inda verde, inda imatura,
De terreno sem ser fertilizado.

Ai que coisa esquisita que é o repente,
Mas eu gosto de ouvir um repentista
Que é bom mesmo e  que tem veia de artista,
Que canta com seus versos, bem consciente;
Por isso é que eu vou, daqui pra frente,
Estudar violão e poesia,
Para ver se também na cantoria
Eu chego a conseguir algum progresso,
Depois volto, se conseguir sucesso,
Mas lhes peço dispensa neste dia.

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