Que o nosso presidente é um fenômeno, ninguém duvida.Sua carreira política, iniciada em vida simples, é um atestado da sua inteligência e perseverança.

Como todo nordestino que chega a São Paulo em busca da sobrevivência, sua Excelência trilhou ásperos caminhos e procurou instruir-se em escolas profissionalizantes, para ter um conhecimento técnico que lhe permitisse manter-se e também à família. Concluiu o aprendizado de torneiro-mecânico no Senai e buscou trabalho nessa especialização nas Indústrias Villares.

Com o mesmo sonho que se encontra em cada brasileiro, queria ser dono do seu nariz. Desejava um negócio próprio e, portanto, abriu uma serralheria. Mas não deu certo. Sua praia era outra. Fechou as portas muito rapidamente.

Descobriu, como hábil ator político e psicólogo, algo que ninguém até hoje percebeu,  que o descontentamento dos homens poderia dar-lhe o lucro que não conseguira como “empresário”. Este havia sido um sonho miúdo, que já estava sepultado, diante do que realmente ansiava conquistar.

Presidiu o Sindicato da categoria metalúrgica e descobriu que as greves eram um filão extraordinário para quem quisesse projetar-se. Constatou, num momento de galopante inflação, que ao patrão interessava a greve tanto ou mais que ao empregado.  Porque se o salário aumentasse vinte por cento, o patrão reajustava o preço do seu produto também em vinte por cento, embora a incidência da mão de obra sobre o custo final não passasse de trinta por cento. Para empatar, portanto, não deveria aumentar mais que seis por cento. A greve dava mais lucro que o operário produtivo!

Na batalha, ou melhor, na farsa simulada, nosso torneiro-mecânico havia descoberto a sua real vocação.  Fingir defender os pobres para que os ricos ficassem mais ricos.

Os que fossem da indústria metalúrgica acabariam se dando bem, realmente, mas o restante da população pagava a conta. Aposentado, por exemplo, que não tem sindicato, foi empobrecendo a cada ano até chegar à atual miserabilidade.

O metalúrgico, presidente do sindicato, decidiu criar um partido político. Nada mais fácil do que arregimentar descontentes e, daí, nasceu o Partido dos Trabalhadores.

Começou a crescer na cabeça do retirante nordestino a idéia de voar mais alto e as asas seriam o Sindicado e o PT. Alado com tais atributos, não haveria como deixar de voar até as alturas.

Tramou,  terçou veementemente pelos ideais, até que chegou onde queria. Supremo mandatário da nação.

Será que vai dar certo? Afinal ele é analfabeto, ou quase. Como poderá dialogar com os eruditos chefes de nações, se nem o inglês, o esperanto da comunicação moderna, ele fala. Essa era a dúvida corriqueira.

Mas ele já havia adquirido – usando expressão inglesa – um completo know-how. Funcionara no micro, funcionaria no macro.  Se ele havia peitado e conluiado com os potentados das multinacionais, que eram os chefes de Estado senão acionistas majoritários de empresas privilegiadas, chamadas países.

Conversaria com eles, os presidentes, agora seus colegas, como conversava com os patrões, seus parceiros de negociação. Tomariam juntos seus tragos e dariam boas gargalhadas das piadas que os ricos sempre contam. São sem graça, mas para eles viram comédias.

Em que língua eles conversariam?

Na língua das  máquinas de tradução simultânea. Tão simples. Porque, no final, todos querem a mesma coisa: se dar bem! E nesse ponto, um grita, outro resmunga, aquele outro disfarça, bate o pé, mas é tudo teatro.  Eles só concordam num ponto. Vamos facilitar um pouquinho a vida dos miseráveis, porque assim teremos costa quente e votos ad aeternum para garantir nosso futuro, dos nossos filhos, dos nossos netos, dos nossos bisnetos, dos nossos…

Perceberam como é simples. É o chamado óbvio  u-lula-nte,  que os inteligentes percebem com extrema facilidade e que para nós, os obtusos, parece algo  extraordinário ou transcendental.  É questão apenas de maneirismo.

O que esperamos é que a ganância destes se perpetue para que não se esqueçam de nós. Embora eles vivam na cobertura e nós nos porões e nos subsolos, que eles jamais esqueçam que se o edifício ruir o baque da cobertura é ainda maior que o do porão. E mesmo que o prédio não soçobre, se houver ratos no porão eles chegam à cobertura pelos dutos da podridão. Por isso é sempre interessante manter a higiene do ambiente, antes que a vaca vá pro brejo.

Não sei se me fiz claro!

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