Tal como João, quando foi  ao futuro
E o apocalipse lhe foi mostrado,
Vi que eu morri, mas que já havia voltado
Para enfrentar mais um pedaço duro.
Porém senti que o ar era mais puro,
Praias e matas cheias de beleza
Não vi mais rostos cheios de tristeza
Já não vi homens presos à ganância
Comida havia, e era em abundância,
Estava alegre a própria natureza.

Olhava bem, mas não tinha certeza
Que era na Terra que eu vivia de novo,
Era tão diferente o nosso povo
Em  harmonia e tudo era limpeza.
Havia pão por sobre cada mesa
Não vi mulheres revirando o lixo,
Já não vivia gente como bicho
Nem vi crianças muito mal nutridas,
Nem maltrapilhas; todas bem vestidas,
Num novo mundo, cheio de capricho.

Olhava em volta e via os automóveis
Movidos todos só com hidrogênio
E para nós sobrava oxigênio
Pois silenciosos pareciam imóveis…
Bem mais serenos do que os hipomóveis,
Ninguém morria mais atropelado
Havia respeito e velhos ou aleijados
Iam nas ruas sem preocupação
Não se sentiam mais em aflição
Com o desrespeito dos mal-educados.

Voltei à casa onde aqui morava
Vi a rua limpa, árvores floridas,
A diferença do jeito de vida
Era o que mais na Terra me encantava.
As mães agora já não mais choravam
Nem vi seus filhos se drogando enquanto
Outros queimavam num ranger de prantos
Que era comum em meu tempo passado,
Nem hipertensos nem mais infartados,
Nem os bandidos nos causando espanto.

Olhando, então, eu vi numa folhinha
Que o ano era o de 2080
Um mundo novo todo se apresenta
De homens reis e mulheres rainhas;
Escolas, médicos, todos já tinham
Sem ter políticos nem roubalheira
Nem ditadores nem pastor ou freiras
As religiões tinham um Mestre: O Cristo.
Elas se uniam porque em torno disto
Viviam em paz num mundo sem fronteiras.

Já não havia mais doenças tristes
Dessas terríveis que inda nos maltratam
Não vi olhos turvos pelas cataratas
Nem câncer, aids e outras que hoje existem.
Ninguém ofende o outro, dedo em riste,
Há mais amor embora ainda o trabalho
Tenha de dar ao homem o agasalho
Pois ainda está na senda do progresso
E quer chegar a ser, neste universo,
Um ser divino e não mais espantalho.

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