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Feliz de quem encontra um dia um galho,
Como aquele que abriga um passarinho,
Para ali construir também seu ninho,
Sem nunca se sentir como espantalho.

Implorando algum gesto de carinho,
Às vezes nos sentimos qual frangalho,
Driblando a solidão só com o trabalho,
Porque é triste na vida ser sozinho.

Por que é que as casas nunca viram lares
E os casais não conseguem formar pares,
Pois vivem próximos, mas nunca juntos?!

Será por isso que, na despedida,
Talvez, por ter consciência corroída,
É que choram nas campas seus defuntos? 

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Jamais fale que eu sou o que não sou.
Não me cubra de falsos elogios,
Pois me dá, acredite, calafrios,
Ver alguém que se faz bajulador..

Chego até a sentir uns arrepios,
Ao ver a falsidade, pois de amor
Não se fala, demonstra-se. A rigor,
Não engana nem fere no outro os brios.

Mas não diga a ninguém que sou vulgar,
E que vivo sempre a dissimular,
Pois também será pura grosseria.

Sou normal, nem melhor e nem pior
Do que os seres que estão ao meu redor,
Nesta vida entre a dor e a alegria! 

O amor vive nas mansões
Mas é feliz nas favelas,
De janelas sem cortinas,
De cortinas sem janelas.
De mulheres peregrinas,
Das senhoras, das donzelas,
Onde são reverenciadas,
Tão especiais que são elas!

O lixo às vezes é luxo
O luxo às vezes é lixo…
O requinte é tão banal
Que o mais simples, sem capricho,
Mostra um amor sublimado,
Trocado em leves cochichos,
Por sentir, um pelo outro,
Um frenesi, um rabicho…

Não se iluda com a fartura,
Que existe, aparentemente,
Ela vem nos enganando
Pondo dor em tanta gente.
Porque é na singeleza
Que reside, irreverente,
O doce sonho da vida,
Aquilo que é transcendente!…

Como será que vai ser
O dia da minha morte?
Será um dia de azar?
Quem sabe um dia de sorte?
Talvez eu vá para o sul,
Quiçá eu vá para o norte…

Eu irei bastante alegre,
Ou será que, com pavor,
Carregarei muito ódio
Ou parto cheio de amor?
Arrastar-me-ei como cobra
Ou voarei como um condor?

Depois dos 73
Mergulhado neste mar,
Se morrer é bom negócio,
Então quero negociar!
Não fiz melhor, pois, meu fardo,
Não foi fácil carregar.

Fui ridículo, bem sei,
Falei muito e pouco fiz.
Se quisesse eu poderia
Ter sido bem mais feliz
E ser o dono total
Deste enxerido nariz.

Mas isso nós percebemos
Só quando é tarde demais.
E como o tempo só avança,
Ele não anda pra trás,
Não adianta chorar
Quem se mostrou incapaz.

Mas se é fato que voltamos,
E reencarnar é verdade,
Vou tentar me preparar
Para ter felicidade,
Quando retornar das cinzas
Para nova realidade.

Se tudo o que nós sabemos
Fica em nós porque é tesouro,
Pois são as coisas do Céu
Que valem mais do que o ouro,
Hei de voltar noutra vida
Livre de muito desdouro.

E se não for nada disso,
Se tudo é papo furado,
O que sobrou deste Octávio
É só o que jaz enterrado,
Então que orem por mim…
Desde já, muito obrigado!

Plantei no meu canteiro uma roseira
Para ter rosas muito coloridas!…
Cresceu logo, ficou toda florida,
Mas, logo após, despetalou-se inteira!

Que vida efêmera! Hoje a touceira
Está pelada, sem flores, dorida,
Nem teve tempo para a despedida,
Tal pressa teve a rosa derradeira!

Assim é a vida: uma efemeridade…
Corre da infância para a puberdade
E – num repente – nos deixa murchados…

Só uma carcaça, qual touceira tosca,
Resta sem brilho, como pedra fosca,
Quando também somos despetalados.

Do tempo em que
São Paulo caminhava devagar, sem poluição,
sem medo, sem falcatruas!…

Enquanto meus olhos dormem,
Minh’ alma solta passeia,
A caminhar pelas sendas
Do bucolismo da aldeia,
Onde não vou toda noite,
Mas onde vou volta e meia.

É a minha aldeia saudosa
Dos tempos bons do passado,
Onde a harmonia reinava,
Ruas de barro amassado,
Cheias de casas singelas
Com vizinhos lado a lado.

Hoje não é mais aldeia,
É a maior capital
Deste Brasil altaneiro,
Um país continental,
Mas no meu sonho inda é
A minha aldeia natal.

Dos tempos que fui menino,
Recordo nessas andanças!…
A correria das ruas,
Os sorrisos de esperança,
Essa é a imagem que eu quero
Eternizar na lembrança.

Espero, depois da morte,
Ver minha aldeia sem guerra,
Do jeito do meu passado
Que em minha mente se encerra,
Para voltar aos bons tempos
Da minha aldeia na Terra!…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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