Meu nome ?
Me chamo passado.
Sou a soma dos meus ontens
E a aspiração dos meus amanhãs.
Sou o herdeiro do que fui
E a esperança do que preciso ser.
Sou coletânea dos papéis que já vivi,
De erros e acertos,
De desejos e incertezas
Meu nome é coletivo. É soma de personagens
Em muitos cenários; de terras distintas.
Meu nome ? Deram-me um, por convenção,
Mas não sou ele. Ele é provisório,
É síntese de tudo e de nada.
Mostra uma pessoa, que não sou ela.
Não sou este momento em que me vêem.
Sou um universo condensado
Trazendo em mim eternas criaturas
Que são, que foram, que serão, ainda.
Que vêm, que vão e vem e vão … somando-se
Sou herdeiro de mim mesmo !
Meu nome ?
Eterno, talvez, é o que melhor defina.
Sou pedaço de perfeição, um átomo, quem sabe.
E eles, juntos, fazem o todo.
Sou parte do todo.
Sou conseqüência do amor.
Por isso, amo-me, como te amo, e amo tudo.
Porque não tenho saída.
Tenho de amar, porque sou  efeito, não causa.
Preciso amar para seguir vivendo,
Para ser o eu, o eu que tu não vês,
Por enquanto, quem é.
Não sou isso que aqui está, garanto-te.
O que sou, não irás entender. Não é ainda o tempo.
Sê feliz e contenta-te apenas por saber que
Eu sou.

Do livro “O Grande Mar” – 2002

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