No mundo, encontramos seres horripilantes. Mas um há, especificamente, que é, sem dúvida, o mais repugnante de todos: o predador. Também, numa sociedade extremamente materialista, onde o dinheiro apresenta-se como o “ser” superior, os predadores  encontram ambiente altamente propício, para promoverem a multiplicação da espécie. Se você parar por alguns minutos e olhar bem para a sociedade em que vive, logo perceberá que os predadores existem realmente e estão no nosso dia-a-dia, convivendo lado a lado conosco.

Existem muitos tipos de predadores, porém dois nos chamam a atenção. O primeiro consiste naquela pessoa altamente materialista e egocêntrica, que não mede as conseqüências de seus atos, pois o que lhe importa verdadeiramente é concretizar um sonho qualquer, nem que para isso seja preciso literalmente passar por cima das pessoas. Não importa quais: irmão, pai, mãe, parentes ou mesmo amigos íntimos.

Esse tipo de predador é visto circulando em grande número e apresenta-se como um dos maiores responsáveis pela degradação da Terra. O comportamento desses predadores chega abruptamente ao nosso viver, como se estivessem sob o comando de um cansim egípcio – aquele vento sul, quente e seco, que sopra do Egito na época das cheias do Nilo – e também inundando de maldade o nosso tempo, sob as formas mais impiedosas.

São seres avarentos, mas parecem guardar dentro de si uma micoteca, pronta para se abrir e espalhar ao seu redor os fungos denominados inveja, soberba, corrupção, traição e egoísmo.

O segundo predador não é encontrado em número tão expressivo, mas também habita nosso planeta em grande quantidade. Trata-se do ser que, na maioria das vezes, pode ser considerado excelente cidadão, grande profissional, de extrema bondade. Todavia, seu modo de viver dizendo sim, sem jamais dizer não, de sempre dedicar-se primeiramente a resolver problemas, principalmente os alheios, esquivando-se de olhar para sua própria pessoa, faz surgir no mundo outra espécie de ser: o predador de si mesmo.

Ora, de uma extremidade a outra, a vida nos mostra a cara dos predadores. Por intermédio deles, também nos ensina o caminho da felicidade, que repousa no jardim do equilíbrio. É aquele velho ditado, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra.”  A arrogância, prima da vaidade e irmã da prepotência, termina muitas vezes por levar o homem ao estacionamento da depressão.

É preciso que a humanidade tenha consciência de que “a inteligência se lhe condiciona a determinados fatos de expressão. O ar que respira é patrimônio de todos. As conquistas da ciência, sobre as quais baseia o progresso, são realizações corretas, mas provisórias, porquanto se ampliam consideravelmente de século para século. A saúde física é uma dádiva divina em regime de comodato. A fortuna é um depósito a título precário. A autoridade é uma delegação de competência, obviamente transferível. Os amigos são mutáveis, na troca incessante de posições, pela qual são freqüentemente chamados à prestação de serviço, segundo os ditames que os princípios de aperfeiçoamento ou de evolução lhes indiquem. Os próprios adversários, a quem devemos preciosos avisos, são substituídos periodicamente e que os mais queridos objetos de uso pessoal passam de mão em mão”. – Emmanuel

Textos do juiz de direito Onaldo Queiroga

Correio da Paraíba 10/11/2007 – página A 6

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