Como será que vai ser
O dia da minha morte?
Será um dia de azar?
Quem sabe um dia de sorte?
Talvez eu vá para o sul,
Quiçá eu vá para o norte…

Eu irei bastante alegre,
Ou será que, com pavor,
Carregarei muito ódio
Ou parto cheio de amor?
Arrastar-me-ei como cobra
Ou voarei como um condor?

Depois dos 73
Mergulhado neste mar,
Se morrer é bom negócio,
Então quero negociar!
Não fiz melhor, pois, meu fardo,
Não foi fácil carregar.

Fui ridículo, bem sei,
Falei muito e pouco fiz.
Se quisesse eu poderia
Ter sido bem mais feliz
E ser o dono total
Deste enxerido nariz.

Mas isso nós percebemos
Só quando é tarde demais.
E como o tempo só avança,
Ele não anda pra trás,
Não adianta chorar
Quem se mostrou incapaz.

Mas se é fato que voltamos,
E reencarnar é verdade,
Vou tentar me preparar
Para ter felicidade,
Quando retornar das cinzas
Para nova realidade.

Se tudo o que nós sabemos
Fica em nós porque é tesouro,
Pois são as coisas do Céu
Que valem mais do que o ouro,
Hei de voltar noutra vida
Livre de muito desdouro.

E se não for nada disso,
Se tudo é papo furado,
O que sobrou deste Octávio
É só o que jaz enterrado,
Então que orem por mim…
Desde já, muito obrigado!

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