A prata dos cabelos dos idosos,
Às vezes, é embutido sofrimento
Daqueles que cuidaram do sustento
Dos filhos que hoje são, quiçá, famosos;
Enfrentaram problemas escabrosos
E agora, relegados, vivem sós;
Como velhos avôs, velhas avós,
Para os quais não se dá muita atenção,
Magoando-lhes a alma e o coração,
Situação que traz dor e causa dó.

Os ditosos, ainda têm um quarto,
No fundo do quintal de uma mansão,
Onde passam o dia em solidão,
Fugindo das tramóias de um enfarto.
Há quem queira morrer, pois anda farto
De não ter o convívio da família,
Quer de um neto, de um filho ou de uma filha,
Que nesta vida estão sempre ocupados,
E esses velhos, tão sós e abandonados,
Não conseguem fugir dessa armadilha.

Todavia, mostrando lucidez,
E também muito amor pelo ancião,
Alguns poucos, puseram-se em ação,
Pra acabar com o problema de uma vez.
Ninguém mais vai sofrer de viuvez
Nem de dores causadas por saudade;
Todos vão retornar à sociedade
E dançar e pular e rir bastante,
Dando graças a Deus por este instante,
Indo aos clubes: “Os da melhor idade!”

Salve todos, os que agora reunidos,
Ajudam a viver o cidadão,
O que já deu à pátria o seu quinhão,
E a quem devemos ser agradecidos.
É um gesto de amor enternecido
Dos que comandam a terceira idade,
Trazendo o nosso velho à sanidade,
Com seus clubes que levam alegria
Para que eles, que vivem em nostalgia,
Sintam pulsar, de novo, a mocidade!…

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