Cheguei na esquina do mundo,
Onde o vento faz a curva,
Minha vista ficou turva
E o meu olhar, vagabundo.

Vi uma mulher lá sentada,
Seu homem e um menininho,
Que esperavam, com carinho,
Nova cria preparada.

Eu vi a nuvem que enchia
Com muita água o seu ventre,
Vi adubar a semente;
E a planta que, após, crescia…

Eu vi o sol  nascer cedo,
Jogando raios na Terra,
Pra homens de paz e guerra,
Sempre tão cheios de medo.

Vi o vasto mar agitado,
Suas ondas num vai e vem,
Rebolando com desdém,
Num marejar ondulado.

Vi, ainda, um céu azul,
Como o que está na bandeira,
Desta terra hospitaleira,
Bonita de norte a sul.

Debrucei-me no horizonte,
Vi um cenário bonito,
Tentei ir ao infinito
Mas pra cruzar não vi ponte.

Só há ali um corredor
Que nos conduz pela morte,
Ao mundo que azar é sorte
E onde o ódio vira amor.

Cheguei ao mundo da luz;
Vi, mas não pude transpor,
Não voei como um condor
Nem pude escutar Jesus.

De lá, precisei voltar,
Por me faltar experiência;
Porém não perco a paciência,
Estou aprendendo a amar.

Quero mais simples viver,
Lições chegaram à minh’ alma;
Só basta  um pouco de calma.
Para aquietar o meu ser.

Agora que já conheço,
Que desejo ser feliz,
Vou mudar o meu matiz
E criar novo endereço.

Quero livrar-me do véu,
Pois aprendi que é preciso,
Vestir-me de paz e juízo,
Que é o uniforme do céu.

Nessa viagem, solitário,
Conheci mais de mim mesmo,
Hoje já não vivo a esmo,
Faço da vida um sacrário.

Voltei da esquina da vida,
Carregado de experiência,
Hoje cuido da consciência
E preparo a despedida…!

Feliz quem pode viajar
Pra dentro do próprio “eu”,
Assim como aconteceu
Comigo, pra se encontrar.

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