Quem muito casa e descasa,
Sem ter um amor fremente,
Não culpe os que são da casa,
Nem aquele com quem casa;
A culpa é dele, somente.

Com pouco tempo de casa,
E conduta irreverente,
Começa a arrastar a asa
Para um amor de outra casa,
Com sua lábia envolvente.

Não vê que só espalha vasa,
Por não ser alguém decente,
E qual ave, em sua desasa,
Trocando as penas da asa,
Sai a voar, de repente.

Diversas vezes se casa
Espalha filhos, contente,
Mas depois que apaga a brasa,
Acaba só, em sua casa,
Curtindo uma dor pungente.

Ante a velhice que arrasa,
Sente-se fraco e doente.
Já sem amor em sua casa,
Só espera a cova rasa …, 
A pobre estrela cadente !

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