Lembram-se da Odisséia
Que eu vivi em João Pessoa,
Quando comprei um imóvel
De gente não muito boa?
Pois saibam todos que, agora,
Há um processo de penhora
Por uma dívida à-toa.

São dois mil e setecentos
Reais de alguma infração,
Assunto da construtora,
Do tempo da construção,
E mesmo com a lavratura
E o registro da escritura,
Passo agora por vilão.

Busquei o Dr. André
Vidal, que é advogado,
Para embargar a penhora
Desse bem que foi comprado
Por mim e pago, o total,
Sem atrasar um real
Do que foi estipulado.

Espero que a meritíssima
Tenha sensibilidade,
Examine os documentos
E confirme que é verdade
Que não  devo um só vintém,
Porque paguei todo o bem
Sem usar de leviandade.

Cobrem de quem fez o prédio,
Ou do grupo desonesto
Que me vendeu o AP,
Pois farão um belo gesto
Não incomodando gente
Que tem passado decente
E não merece esse arresto.

Não sou ninguém especial,
Porém não sou ordinário,
E agora tenho de ser
O fiel depositário,
Porque entrou em pagamento
Da conta o apartamento
Do qual eu sou proprietário.

Por isso é que tenho dito
A quem tem medo da morte:
Mais perigoso é viver,
Manter o caráter forte,
Para não ter depressão
Nem meter-se em confusão,
Mantendo sereno o porte.

O meu consolo é que além
Desta justiça que é falha,
Há uma outra que é perfeita
E que coloca a cangalha,
No esperto que é usurário,
Que riu como um salafrário,
Punindo assim o canalha.

A causa já foi ganha, mas o governo recorreu.
Perdeu de novo, mas recorreu de novo. E viva o Brasil!
A justiça divina já se fez. Só espero agora a da Terra!

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