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Eu tento não ficar triste,
Porque tristeza é besteira!
Quando a gente fica triste
Sofre mais a vida inteira,
Porque não nos dominamos,
Nosso humor não controlamos,
E tudo nos dá canseira!…

Viver é uma coisa rara,
Um negócio muito sério
Que precisa de equilíbrio
E de bastante critério
Para não desesperarmos
E, agindo assim, apressarmos
A ida pra o cemitério.

Mas vou brincar de viver
Pelas vielas da vida
Nas sendas que são mais curtas
Ou nas estradas compridas
Pensando nos sonhos meus
Agradecendo ao Bom Deus
Pelos embates da lida.

Vou deixar de me afobar
Ou ver em tudo um dilema
Vendo sempre o lado errado,
Vou mudar o estratagema,
Viver anos, mais ou menos,
Mas que sejam muito amenos,
Com muito menos problemas.

Se houvesse algum outro jeito
De ser feliz neste mundo,
Eu juro que não seria
Um cara assim iracundo…
Cada dia em meu destino
Seria um novo natalino
De um ser bonito e fecundo.

Todavia é o que se tem
Diante de tanta maldade
Uns tem muito outros tão pouco
Em dura desigualdade,
Por isso vou carregando
Meu fardo, que vou levando
Com toda a dignidade!

Tenho setenta janeiros
Porém nasci num novembro;
Lembro pouco dos primeiros,
Mas dos últimos me lembro
Pois da vida sou um membro,
De uma história itinerante,
Igual ao judeu errante
Sem terra, paz ou respeito,
Mas me dou bem desse jeito
Desde quando eu era infante.

Trinta e quatro foi o ano
Do desembarque na Terra,
No planalto, não na serra,
Bem no espigão da Paulista,
No Bexiga dos artistas,
Dos teatros, das cantinas,
Lugar que, entre serpentinas,
Desfila a Vai-Vai, a escola,
Dos velhos e rapazolas
Das coroas, das meninas..

Eu gostei de ter nascido
Na minha terra querida
Porque tive boa vida
Apesar de ter sofrido;
Todo mal foi esquecido,
Segui a minha diretriz
Lá onde todo mundo diz
Que é a terra da garoa,
Hoje vivo em João Pessoa
Onde também sou feliz.

A terra que nos abraça
Merece o nosso carinho;
Nos dá a vida e um pouquinho
Do destino que Deus traça.
E caso haja ameaça,
Saibamos tirar proveito
Da desgraça e dar um jeito
De espantar a solidão,
Pra não cairmos no chão
E não perder o respeito.

Poema de 2004

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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