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Fim de semana! Esquentando o miolo,
Meses a fio, na Vila Maria,
Fez o meu pai lá na periferia
Nossa casinha: tijolo a tijolo.

Todo domingo lá estava e comia
Pão, mortadela, café, leite e bolo;
Dinheiro pouco, mas para consolo,
Viu, finalmente, a sua moradia…

Chegou o dia da nossa mudança:
O pai, a mãe, o meu irmão criança
E eu lá fomos, em um caminhão…

Descarregando, eu ouvi um barulho!
Olhei a casa, era um monte de entulho;
Raio malvado jogou-a no chão!…

Do Livro “O Grande Mar” – 2002
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Jamais eu vi uma árvore indagar
Sobre a vida de quem, sob a sua fronde,
Desfruta seu frescor sem dizer de onde
E nem como chegou a esse lugar.

Só colabora para o melhor ar
E a sombra fresca que o silêncio esconde;
Ela oferece e nunca indaga aonde
O peregrino irá depois pousar.

Este é um exemplo de desprendimento
Que deseja servir todo momento
Como os que sabem ser reais amigos!

Alimenta-se das próprias raízes
Que a trabalhar são sempre bem felizes,
Por dar igual aos nobres e aos mendigos…

“Não admito, eu exijo
Obedeçam ou processo!
Mando prender, acreditem,
Porque eu mando, não peço!”

“Dou cinco dias de prazo
Para acabar a miséria
Creiam não estou brincando
O que falo é coisa séria.”

“Vou prender todos bandidos
E acabar com a violência
Ninguém me desobedeça
Ou então perco a paciência.”

Quando os nossos governantes
Declaram coisas assim
Dá a impressão que é verdade
E que o mal terá seu fim!

Isso é conversa fiada,
De autoridade imbecil
Que pensa que só gritando
Vai consertar o Brasil…

Enquanto isso o bandido,
Malfeitor e traficante,
Vai tendo vida tranqüila
Com riqueza exuberante.

Na prisão tem celular
Divertimento, alegria
E se ele for um doutor
Terá toda mordomia.

Enquanto isso este povo
Que vive só das esmolas,
Vale isso, bolsa aquilo,
Fica longe das escolas…

No hospital, dorme no chão
E espera sem ter remédio,
Sofrendo mais do que um cão
Abandonado em seu tédio.

A nossa gente já não
Agüenta tanta miséria
E tem de viver ralando
Sem ter um dia de féria.

Pare de gritar doutor
E repetir “eu que mando”
Porque o senhor daqui a pouco
Vai acabar se danando.

Só um poder bem maior,
Um poder onipotente,
Que é o poder do Criador,
Pode salvar nossa gente.

Genuflexos, pedimos
Ao Amigo Jesus Cristo,
Diga a esses politiqueiros
Para que acabem com isto.

Que tenham menos ganância
Prepotência e safadeza
E entendam que a sua missão
É tarefa de nobreza.

Cuidar dos seus governados,
Que votaram no seu nome
Exige que o candidato
Seja mais, que seja UM HOMEM!

Quem quiser editar livro
Tem de fazer mutirão.
Junta uma turma de gente
E depois, a prestação,
Vai pagando a sua obra
Sem qualquer vinculação!…

Se quiser outro caminho,
O Governo ou coisa e tal,
Saiba que verba só existe
Pras festas de carnaval,
Pois cultura no Brasil
É coisa de irracional!

Você não escreve as besteiras
Do Paulo Coelho ou do Jô,
Que além de ter um programa
Tem um patrocinador;
Nem se chama Jorge Amado,
O que cantou Dona Flor!…

Se o livro for de poesia,
Nem perca tempo com isso…
Eles dizem que não vendem,
Não assumem compromisso;
Escreva sobre auto-ajuda
Que o povo só entende disso!…

Meus versos irão comigo,
Entre as flores do caixão,
Quem sabe encontre os poetas
No mundo da imensidão,
Quando, então, declamaremos
Com grande satisfação!

Somos um povo atrasado
Que só pensa em CDB,
Bolsa, dólar, euro, PIB
E eu não sei mais o quê,
Valores que colaboram
Para a cultura morrer.

Mas os que vendem CD,
De verdade ou pirateados,
Vão vivendo da poesia,
Dos versos já musicados;
Por que é então que os poemas.
São ridicularizados?…

Diz o nosso presidente,
Em bela filosofia,
Que a Amazônia é do povo
E não adianta a porfia
De internacionalizá-la
Trocando-a por ninharia…

Estamos nisso de acordo;
A Amazônia, a brasileira,
É um grande patrimônio
Da nossa pátria altaneira
Que tem tudo para ser
Uma terra hospitaleira.

Eu não falo de hospital;
Eu falo de caridade.
A terra onde cada ser
Tenha casa e liberdade
Além de um trabalho sério
Que lhe dê dignidade!…

Do jeito que a coisa está
Se a Amazônia é do povo,
Vou vender a minha árvore
Pra poder comer de novo,
Nem que a minha refeição
Seja só de arroz com ovo.

Palavras sempre que nascem
De inteligência brilhante
Provocam um grande impacto
E deixam o cara radiante
Pois parecem coisa séria
Mas na verdade é hilariante.

Ninguém pode fornecer
Aos seus filhos por comida
Apenas filosofia
De quem vive boa vida
E filosofa barata,
Pois isso não dá guarida!…

É bom ter biocombustível
Porque sobra mais dinheiro
Pra passear de avião
À custa do brasileiro,
Enquanto os aposentados
Só se ferram por inteiro!…

A cada ano que passa
A miséria aumenta mais;
O salário diminui,
Num assalto contumaz,
E eles mandam vestir branco,
Para este mundo ter PAZ!

A violência é uma flor
Bem fedida, malcheirosa,
Mas as raízes estão
Nos palácios cor-de-rosa,
Onde se fabricam leis
Miseráveis, mentirosas.

Lá onde os seus habitantes
Vivem vidas paralelas
Só olham os miseráveis
Dos buracos das janelas,
Quando catam pelos cantos
Os lixos que há nas vielas!…

Talvez um dia isso mude.
Quem está em cima fique em baixo,
Quem foi  muito esperto saia
Desta vida cabisbaixo
E quem sofreu tenha vez
Nunca mais seja um capacho!

No dia que esses barulhentos
Morrerem terão, no inferno,
Como castigo o silêncio
E a queima no fogo eterno,
Para aprender, se voltarem,
A respeitar, ser fraternos!…

Estão ferindo os ouvidos
Ensurdecendo a si mesmos
Com voz além do normal,
Gastando energia a esmo,
Ficando desidratados
E secos como um torresmo.

Falar baixo é educado
E próprio de quem não tem
Que chamar a atenção,
Nem exibir-se a ninguém,
Porque sabe o seu valor
Sem trombetear para o além.

O gritador quando fala
Nem precisa telefone
Faz até um interurbano,
Zoando como um ciclone
Espalhando o vozerio
Qual um forte megafone.

Ah planeta pobre o nosso,
De um povo muito atrasado;
Tanta poluição sonora
Tanto lixo, desmatado
Pelo tal do ser humano
Que é tão animalizado!…

Como a ação gera a reação
E o plantio diz da colheita
Aquele que planta o mal
A colhê-lo se sujeita
Porque não terá perdão
Depois que a coisa foi feita!…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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