Diz o nosso presidente,
Em bela filosofia,
Que a Amazônia é do povo
E não adianta a porfia
De internacionalizá-la
Trocando-a por ninharia…

Estamos nisso de acordo;
A Amazônia, a brasileira,
É um grande patrimônio
Da nossa pátria altaneira
Que tem tudo para ser
Uma terra hospitaleira.

Eu não falo de hospital;
Eu falo de caridade.
A terra onde cada ser
Tenha casa e liberdade
Além de um trabalho sério
Que lhe dê dignidade!…

Do jeito que a coisa está
Se a Amazônia é do povo,
Vou vender a minha árvore
Pra poder comer de novo,
Nem que a minha refeição
Seja só de arroz com ovo.

Palavras sempre que nascem
De inteligência brilhante
Provocam um grande impacto
E deixam o cara radiante
Pois parecem coisa séria
Mas na verdade é hilariante.

Ninguém pode fornecer
Aos seus filhos por comida
Apenas filosofia
De quem vive boa vida
E filosofa barata,
Pois isso não dá guarida!…

É bom ter biocombustível
Porque sobra mais dinheiro
Pra passear de avião
À custa do brasileiro,
Enquanto os aposentados
Só se ferram por inteiro!…

A cada ano que passa
A miséria aumenta mais;
O salário diminui,
Num assalto contumaz,
E eles mandam vestir branco,
Para este mundo ter PAZ!

A violência é uma flor
Bem fedida, malcheirosa,
Mas as raízes estão
Nos palácios cor-de-rosa,
Onde se fabricam leis
Miseráveis, mentirosas.

Lá onde os seus habitantes
Vivem vidas paralelas
Só olham os miseráveis
Dos buracos das janelas,
Quando catam pelos cantos
Os lixos que há nas vielas!…

Talvez um dia isso mude.
Quem está em cima fique em baixo,
Quem foi  muito esperto saia
Desta vida cabisbaixo
E quem sofreu tenha vez
Nunca mais seja um capacho!

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