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Ao deixar o trabalho repousando,
O nordeste parou no São João.
Os tempos são modernos, mas ainda
Insistem em seguir a tradição,
Defendem que se acendam as fogueiras,
Que se soltem foguetes e balão.

Os perigos já são bem conhecidos
Os balões só provocam acidentes;
Embora bem bonitos não se pode
Prejudicar, com isso, muita gente;
É preciso buscar alternativas
E fazer um São João bem diferente.

O costume já vem de muito tempo,
Mas o mundo não pára e as coisas mudam.
Por isso é que é preciso ter cuidado
Com prazeres que hoje só ajudam
A criar mais problemas, sem motivo,
Por culpa dessa gente cabeçuda…

Somos todos adeptos da pamonha,
Da canjica e do milho cozinhado,
Do quentão, vinho quente e outras bebidas
Que deixam o festejar muito animado;
Pra dança do forró e da quadrilha
Num bonito arraial todo enfeitado!

Mas as festas são tantas no Brasil,
Com dias espremidos enforcados,
E mil repartições que fecham portas,
Com sujeitos mui bem remunerados;
E se acabar pra eles o São João,
Garanto, ficarão bem revoltados.

– O povo tem direito a divertir-se,
Será logo de cara o argumento,
Mas vive por aí fazendo greve
Pois diz que ganha pouco e quer aumento,
Mas não é de trabalho o que ele quer…
Só quer cestas de graça de alimento!

Tem o vale transporte, o vale leite,
Vale escola e também o refeição,
Se tem tudo de graça por que ele
Vai se encher de qualquer  preocupação?!…
O negócio e enturmar-nos na festança
E também gritar: – Viva o São João!

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O soluço da terra eu escutava,
A lamentar a fome da semente;
Eu ouvia, bem claro, que chorava,
Era um choro sofrido, em tom pungente.

A raiz embotada, tristemente,
Resmungava ante a seca que a abrasava
Pois ela que sonhara, tão contente,
Desmaiava, em fraqueza, na socava.

E a terra chora, num pranto sentido,
O seu lamento por não ter podido
Fazer do grão mais um troféu do horto.

Ao fenecer,  por rude inanição,
O que daria a sonhada ração
Não passa agora de um resíduo morto.

Outro inverno chegou… Frio demais!…
Quando raiou mais uma madrugada,
Vi árvores de ramas congeladas,
Lembrando candelabros de cristais.

Queimou todas as plantas a geada,
Matando no seu povo a ansiada paz;
O gelo vil cobriu os cafezais,
Deixando toda a gleba estorricada.

Apesar de ser lindo o panorama,
Porque adorna de prata cada rama,
A tristeza espalhou-se nesses dias.

Destruiu-se a lavoura cobiçada,
E a colheita, que há muito era esperada,
Disse adeus entre dores e agonias!…

Lança-se a folha, em mórbido suicídio!…
Em pleno ar, despenca amarelada,
Espatifando em prantos na calçada,
Como gemendo a dor de um feticídio.

Repete-se, anualmente, este homicídio,
No repouso da planta, na invernada,
Quando fica de copa desfolhada,
Atada à hibernação, como a um presídio!

Sua ação, todavia, ali não cessa,
Porque ao se decompor, ela, sem pressa,
Transforma-se, no humo, em fonte nova…

Neste vaivém, num ciclo intermitente,
Vencendo hiatos, ela segue em frente
E depois volta à vida e se renova.

Nascemos sem dentes e sem ter cabelos
E a vida, imprudente, nos deixa sem tê-los
Na hora do fim, quando tudo é desvelo.

Nascemos chorando e chorando vivemos
Até que, num dia, chorando morremos,
Porque a nossa mãe, só chorar nós fizemos…

Amarrado à mãe, nasce o filho e também
Atada ao seu filho, assim morre mãe,
Levando saudades, voando no além…

Ser mãe é ter luz em sua aura de brilho
É ser da canção o mais belo estribilho!…
É só sacrifício… da mãe pelo filho!

Belo segredo o céu me cochichou,
Mas tão baixo que quase nem ouvi!…
Pela forma, porém, eu entendi
Tudo aquilo que o céu me segredou.

Revelava que era um colibri,
Que voava como nenhum voou,
Que ia aspirando o néctar da flor
Sem macular-lhe a essência. Assim vivi

E esperava que o céu me revelasse
Que talvez bem mais alto ainda voasse
E repetisse o gesto tão bonito…

Confesso-lhes, porém, que no momento
Em que o céu abraçou-me, em pensamento,
Transportei-me do mundo ao infinito!…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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