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Você já viu quando um bandido fica à espreita?
Ele observa a porta aberta e se aproveita…
É assim, também, que age em nós qualquer doença
Pois falta a fé, mesmo se temos nossa crença.

Se formos fortes, não há mal que chegue e vença!
Então, por isso, não criemos desavença
Com uma pessoa que para nós não é direita,
Pois é possível seja falha esta suspeita…

Tanto o ladrão como qualquer enfermidade,
Só têm sucesso no descuido da pessoa
Porque eles vivem de encontrar facilidade…

Quem é prudente, é feliz, vive contente,
Sempre sorrindo, muito alegre, numa boa,
Jamais terá qualquer doença pela frente!…

Como se fora uma longa peça
Que é dividida em seus diversos atos,
Tive outras vidas, tive outros retratos,
Mas o que fui isso não me interessa…

Que adiante ter sido conde ou condessa
Ou um senhor de negros e mulatos,
Se hoje tenho de enfrentar os fatos
Da nova etapa, onde eu luto à beça…

Das outras vidas que larguei na história,
Só me interessa reter na memória
O que me possa trazer bons exemplos…

Pois neste novo ato, nova infância
Não sou além da insignificância
Da minha própria soma de outros tempos…

Eu dei uma informação,
Porém desculpe, galera…
Decidido tudo está,
Após seis anos de espera,
Mas neste Odisséia III
Explico mais uma vez
Que ainda é tudo quimera!…

Lá no odisséia II
Eu disse que havia ganhado
E que o processo estaria,
Portanto, finalizado,
Mas me esqueci que o Brasil,
Nossa terra cor de anil,
É bastante complicado…

No nosso STJ
Todos me deram razão.
Decidiram que o imóvel
Era meu, sem um senão,
Pois paguei todo o valor
E como bom comprador
Honrei tostão por tostão.

Também no STF
O despacho foi igual;
“Liberem o imóvel ao dono,
Seu proprietário legal”,
Mas não é simples assim,
Pois parece não ter fim
Este triste carnaval!…

A advogada experiente,
Fez logo uma petição:
Pediu ao juiz local
A pronta liberação,
Porque este “escorpiniano”
Tem mais de setenta anos
E esse direito lhe dão.

Mas será que é mesmo sério
Esse estatuto do idoso,
Ou é só conversa mole
Desse direito horroroso,
Que faz leis em abundância,
Zombando da ignorância
Do nosso povo inditoso!…

O ap, de fato, é meu
Mas vendê-lo hoje eu não posso,
Porque a justiça me impede
E se do bem eu me aposso
E o vendo, aí a justiça
Toda a minha vida enguiça
E assim, o caldo eu engrosso…

Se ficar calmo me agrido,
Se tiver raiva, adoeço…
Não sei mais a quem recorro,
Só tropeço após tropeço,
Pois se esse final demora
Antes disso eu vou embora
Para um divino endereço.

Feliz o que está no mundo
Não tem posses, patrimônio,
Prefere ser amasiado,
Nem pensa no matrimônio;
Tem filhos com bolsa escola
E de vale enche a sacola,
Fora deste manicômio.

Quem quer tudo muito certo,
Manter boa educação,
Cultuando a dignidade
Para ser um cidadão,
Perde toda sua bagagem
Tropeça na própria imagem
Chegando até a depressão!

Mas hoje aos setenta e quatro,
Que vou fazer em novembro,
Já não dá para mudar,
Porque nem mesmo me lembro
Da infância na pindaíba
Antes  que esta Paraíba
Me fizesse um de seus membros.

Hoje, já perto do fim,
Eu não vou ser um maluco
De deixar que a injustiça
Possa tornar-me um eunuco;
Quero mesmo é fazer festa
Neste pouco que me resta
Bem alegre,  não caduco.

Afinal neste episódio
Quem esta ganhando sou eu;
O cara que me enganou
Já se foi, pois já morreu,
Deve estar muito elegante,
Lá onde “vive” o farsante,
Maquete de fariseu!…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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