Ao deixar o trabalho repousando,
O nordeste parou no São João.
Os tempos são modernos, mas ainda
Insistem em seguir a tradição,
Defendem que se acendam as fogueiras,
Que se soltem foguetes e balão.

Os perigos já são bem conhecidos
Os balões só provocam acidentes;
Embora bem bonitos não se pode
Prejudicar, com isso, muita gente;
É preciso buscar alternativas
E fazer um São João bem diferente.

O costume já vem de muito tempo,
Mas o mundo não pára e as coisas mudam.
Por isso é que é preciso ter cuidado
Com prazeres que hoje só ajudam
A criar mais problemas, sem motivo,
Por culpa dessa gente cabeçuda…

Somos todos adeptos da pamonha,
Da canjica e do milho cozinhado,
Do quentão, vinho quente e outras bebidas
Que deixam o festejar muito animado;
Pra dança do forró e da quadrilha
Num bonito arraial todo enfeitado!

Mas as festas são tantas no Brasil,
Com dias espremidos enforcados,
E mil repartições que fecham portas,
Com sujeitos mui bem remunerados;
E se acabar pra eles o São João,
Garanto, ficarão bem revoltados.

– O povo tem direito a divertir-se,
Será logo de cara o argumento,
Mas vive por aí fazendo greve
Pois diz que ganha pouco e quer aumento,
Mas não é de trabalho o que ele quer…
Só quer cestas de graça de alimento!

Tem o vale transporte, o vale leite,
Vale escola e também o refeição,
Se tem tudo de graça por que ele
Vai se encher de qualquer  preocupação?!…
O negócio e enturmar-nos na festança
E também gritar: – Viva o São João!

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