O soluço da terra eu escutava,
A lamentar a fome da semente;
Eu ouvia, bem claro, que chorava,
Era um choro sofrido, em tom pungente.

A raiz embotada, tristemente,
Resmungava ante a seca que a abrasava
Pois ela que sonhara, tão contente,
Desmaiava, em fraqueza, na socava.

E a terra chora, num pranto sentido,
O seu lamento por não ter podido
Fazer do grão mais um troféu do horto.

Ao fenecer,  por rude inanição,
O que daria a sonhada ração
Não passa agora de um resíduo morto.

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