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Velho que quer ficar moço
e não ter decrepitude,
trabalhe, porque o trabalho
é elixir da juventude!

Ser idoso é natural,
mas ser velho é mau negócio;
o velho envelhece mais
quanto maior é o seu ócio…

O seu RG registra
toda a velhice da idade;
mas será coisa sinistra
entregar-se a essa verdade!…

Já dizem que velho é trapo
e se você não cuidar,
acabará qual farrapo
adoecido e sem lar!

O que importa é o interior,
De nada vale  o esboço;
por isso há jovem que é velho
e muito velho que é moço…

O poeta sopra um verso ao meu ouvido
De um tipo que eu jamais tinha composto;
Estrofes que eu não tinha percebido,
Mas que, agora, ao lê-las dão-me gosto,
Pois foi bom que soprasse ao meu ouvido!…

É curioso que idéias cheguem feitas
E sem serem iguais às que componho,
Porém, bem mais que as minhas, são perfeitas
Pois nunca as tive eu, nem mesmo em sonho,
E é curioso que cheguem tão bem feitas!…

Será que é transmissão de pensamento
Ou vem na tal da psicografia,
Quando o espírito chega, e num momento,
Grafa por nós na sua caligrafia
E não é transmissão de pensamento?…

Seja lá como for, é bem bonito
E eu desejo, portanto, agradecer
A quem se transportou desde o infinito
E deu-me este presente, oh nobre ser!
Porque ele é realmente bem bonito!…

A mim me cabe agora divulgá-lo
Levá-lo até os parceiros, os amantes
Da poesia, para que sintam o halo
Do poema e, como eu, fiquem radiantes,
Porque me cabe agora divulgá-lo!…

Nunca chores por mim porque pareço
Um menino no mundo deserdado.
Se me falta um brinquedo, improvisado,
Eu produzo outro algum que não tem preço…

Não procures saber meu endereço,
Pois vivo num barraco despencado
Ou, às vezes, na rua, onde jogado,
Só espero merecer pequeno apreço!

Não se iluda por eu só ter pobreza,
Porque em meu porte altivo há uma riqueza
Que trago de outras eras já distantes…

Porém hoje  no mundo da matéria,
Preciso ser escravo da miséria,
Para sanar os erros que fiz dantes!

Ninguém mede o tamanho de um amor,
Pois não existe ainda um instrumento
Que mostre realmente o seu ardor,
Que permita aferir o sentimento
E medir o tamanho de um amor…

Quantas vezes, nalgum dado momento,
Tornamo-nos ingênuo sofredor,
Pois escapa ao controle o pensamento
Que embaralha e se perde nesse amor?
Não é sempre, só num dado momento!…

Depois que o coração perde o controle,
É sinal que a razão já não vigora;
Com o nosso equilíbrio ela então bole
E corremos perigo nessa hora,
Pois nosso coração perde o controle!

Mas se amar loucamente vale a pena,
Pois ninguém mede ao certo uma emoção,
Qualquer dor poderá ser muito amena
Se o comando ficar com o coração,
Que amará loucamente… Vale a pena!…

Tal qual um pássaro numa gaiola,
A mendigar o alpiste de alimento,
Espero ouvir, aqui, neste momento,
Ao menos um acorde de viola…

No seu sonido, algo que consola,
Desejo ter um entretenimento,
Que me deleite e sirva de sustento,
Inda que seja em disco de vitrola.

Enquanto o pássaro, com tom mavioso,
Canta suas mágoas, eu aqui choroso,
Camuflo toda a minha frustração…

Pois a gaiola que hoje me enclausura
Tem muita mais a ver com a amargura
Que toma conta do meu coração…

– O meu corpo é meu e dele faço
O que bem entender, diz muita gente;
Porém, a realidade é diferente,
O corpo é só um resíduo, é qual bagaço…

A alma tem no corpo o seu regaço
Por isso ele não vive independente;
Mesmo que uma beleza ele aparente,
A alma que o anima dá-lhe o traço!

O corpo é emprestado; é a natureza
Que o oferece, cheio de beleza,
E o manda por amor, como um regalo…

Por isso saiba sempre dar o exemplo
E cuide do seu corpo como um templo,
Devolvendo-o ao Pai sem maculá-lo!  

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
junho 2008
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