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Eu só quis carro potente,
De luxo e apresentação,
Hoje vou neste sem rodas
E sem nenhuma tração,
Pois só anda carregado
Tendo três de cada lado
Nas alças deste caixão!…

Quis tudo do melhor tipo
Os mais novos, mais modernos,
Desses que a cada três meses
São lançamentos hodiernos
E hoje só não vou pelado
Porque me levam enfeitado
Com flores e o melhor terno…

Vou de sapato de cromo,
Deixo outros de pelica,
Que dá status e elegância
A quem se diz gente rica,
Pois ninguém pensa na hora
Que deixa tudo e vai embora
E essa ilusão aqui fica…

A lápide é de carrara
O mármore de mais luxo,
Onde vão morar aqueles
Que sempre encheram seu bucho,
Enquanto quem viveu pobre
Sente-se feliz e nobre
Por livrar-se do repuxo!…

Essa é a certeza mais certa,
Que chegará de repente,
Quando findará o orgulho
Que tomou conta da gente…
Lá na Pátria da Igualdade,
Só quem fez a caridade
Poderá viver contente!…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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