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Com meus pés descalços, na areia molhada,
e olhando distante o marulho das águas,
eu ia, caminhando; pensava na vida…
Quando olhei  de lado, ali estava ela: a canoa furada, sem remo e sem vela;
Estava de bruços e eu escutava seu pranto e também os soluços de quem
certamente na vida agora pensava.
Um dia foi ela, bonita amarela, com listras azuis, como soberba nau.
Não era um navio, dos mares bravios, apenas um pau, igual berimbau,
arqueado, curvado, com cores alegres.
Levava em seu dorso o homem de pé que ia, na pesca, buscar o sustento.
Saia da areia e escutava a sereia
que então lhe mostrava o cardume no fundo,
vindo de outros mares, vindos de outros cantos das ruas do mundo…
Nas ondas serenas que o casco alisava,
ela repousada, ela deslizava, ela flutuava.
Ninguém agredia, nem ela nem a onda,
que mais parecia a mãe que trazia
no colo seu filho ninando em seus braços.
Nem ela furava as águas das ondas, nem elas batiam em forma de açoite,
no casco pintado, no seu duro aloite.
Quando vinha a tarde ela era levada na força do vento
que ajudava o remo do homem que é forte. E em seu pouco porte
sem dor nem tormento fazia divisão entre a imensidão
do mar e o firmamento.
Hoje jogada, quebrada, furada, conserva lembradas as suas aventuras.
E as criaturas que por ali passam, nem ligam nem olham esse
olhar que embaça porque as lembranças são tristes demais!…
Saia do cais para o fundo das águas e agora só mágoas por não poder mais
levar em seu dorso o homem valente que ao sol inclemente buscava o pescado.
Canoa largada, de cor desbotada, madeira rachada, na praia jogada.
Que triste a velhice que traz o abandono.
Nem mesmo o seu dono lhe faz um carinho.
Podia relembrar os seus tempos de glória que em sua memória estão registrados.
Bastava um colóquio e o seu solilóquio daria lugar ao sorriso feliz…
O mar, de pequeno, já ia crescer, devia subir e mais tarde descer.
É a calma que agora se agita no mar.
O mar parece que grita com as ondas de espumas tão brancas.
O mar se agiganta, com a água que é tanta,
enquanto a canoa dormia, chorava, sofria ou talvez desmaiara.
Quem sabe pensava a canoa lembrando da vida que havia lhe sido tão boa, mas que hoje, já velha, ali jaz sem ninguém…
Segui meu caminho na praia molhada deixando, de bruços, deitada a canoa, pensando na vida e pensando na morte.
Quem sabe o que a sorte reserva pra mim, já perto do fim, com a pele enrugada, com a tez desbotada e a alma senil, tal qual a canoa na praia deixada…
Ações de desprezo no nosso Brasil!

Saudações, oh Natureza,
Hoje estás uma beleza
E eu nem prestei atenção!…
É que eu vinha distraído
E não havia percebido
Desfilar a Criação!

O sol chegou tão brilhante
No nascente, logo adiante,
Assistindo ao marulhar
Desse mar que é tão azul
Como os mares do meu sul
Porque é sempre o mesmo mar!…

Coqueiros altos e finos
Junto aos outros pequeninos,
Sem qualquer preocupação,
Balançam mostrando a flora
Num desfilar orla afora
Enfeitando o calçadão.

Pessoas que vão e vem
Algumas sem ter ninguém
Outras que estão em conversa,
Ou escutam aparelhos
E eu nem meto o bedelho
No meu andar vice-versa.

Mulheres com seus maridos,
Outras com recém nascidos
Que levam no seu carrinho,
Vem receber do Deus Pai,
Enquanto no passo vai,
Gotas de amor e carinho;

Vem em forma de saúde
Que se percebe amiúde
Num enfermo, especialmente,
Quando vai ali passear
Porque no seu caminhar
Revigorado se sente.

É o remédio mais barato,
Mais eficiente e sensato
Que o homem pode tomar…
Faz bem para o coração,
Não tem contra-indicação
Só temos mesmo a ganhar!…

Vou prestar mais atenção,
Para ter inspiração
Na hora do vai não vai…
E enquanto for caminhando
Irei, de alma pura, orando,
Dando mil graças ao Pai!…

Neste domingo, dia 26 de outubro, a bonita cidade de Campina Grande, na Paraíba se transformará em palco de guerra. O que deveria ser uma festa cívica virou uma batalha campal e de bastidores, pela ânsia do poder temporal que pode ser tirado a qualquer momento. Remember Ulisses, Tancredo, Magalhães, o novo e o velho, e uma imensa fileira de importantes imortais que estão sob sete palmos. E os que ainda lá não vivem, transportam-se todo tortos por andadores artificiais, que lhes dão os últimos recados para que se equilibrem e respeitem o próximo.

A ganância da incompetência que não pode sustentar-se por si própria obriga os homens a perenizar-se nos postos e poderes que lhes garantam a sobrevivência e o status dos quais são totalmente dependentes. Como os drogados da química eles estão presos às drogas da vaidade e dos ouropéis.

Vivemos numa terra que está abandonada, jogada às moscas, com a violência urbana grassando cada vez mais e o Brasil desloca tropas de exército para uma cidadezinha do interior de um estado de pequena expressão tentando garantir a ordem pública, porque a própria polícia do estado está incumbida de sufocar o livre exercício da cidadania. Que lugar é esse? É no mundo dos humanos ou na terra das bestas do apocalipse?

Senhor! Tenha piedade da ignorância destes e dá-lhes discernimento para que passem a pensar, não com o brilhantismo da inteligência fértil e mal canalizada, mas com o bom senso da simplicidade para que saibam quais os valores verdadeiros que precisam ser cultivados e postos em prática. Antes que seja tarde!

Que os céus protejam Campina Grande e toda a Paraíba, livrando-as das mesquinharias que emporcalham o progresso e entravam o desenvolvimento social e cultural de um povo inteligente e que tem tudo para se projetar no cenário nacional, pois já deu provas de sua capacidade tecnológica em diferentes áreas comerciais, industriais e científicas!

Há mais de trinta anos, no ABCD paulista, surgiu um professor de greves, com mestrado e doutorado. Descobriu o filão que era amedrontar os empresários, ofendê-los, avilta-los e com isso ganhou simpatia e projeção nacional.

Como o brasileiro é bom aluno, todos os trabalhadores aprenderam que é mais fácil conseguir recompensas por meio de pressão do que pelo trabalho sério e dedicado.

O sistema espalhou-se e permanece como vimos recentemente com os empregados dos correios, com os policiais que deviam perseguir bandidos e defender a população e com os bancários.

Quando eu era menino, depois jovem e adulto, filho de lavadeira e pedreiro, aprendi que quando não estamos contentes com um trabalho devemos nos demitir e procurar outro que paguem o que pensamos valer. Da mesma forma, conseguimos nossa casa trabalhando inclusive aos sábados e domingos, sem invadir terras alheias nem depender das bolsas-esmola que viciam o cidadão e tiram-lhe a decência!

Venci tudo e todos, inclusive a miserabilidade da aposentadoria, porque ao longo do tempo me roubaram o que contabilizei dentro das regras, as quais mudaram segundo as conveniências dos que pensam mandar nos cidadãos. Os insensíveis que ocupam cargos provisórios com a única finalidade de se arranjarem e perenizar os benefícios conseguidos sempre de maneira duvidosa… E, como na monarquia, tentar deixar herdeiros como ocorre em todos os estados da federação.

A greve dos bancários aí está. Dividida em três grupos:  banqueiros, bancários e sociedade.

Os banqueiros sempre se beneficiam, porque enquanto o banco está fechado, os juros são contabilizados e o patrimônio deles cresce. Não há pressa, portanto, que a greve termine. Podem negociar à exaustão, procurando toda a vantagem possível para ter menores gastos.

A segunda parte são os funcionários que ficam de braços cruzados por longo tempo para no final, já sabemos, conseguir os reajustes que pretendem, mais as parcelas de adiantamento, participações nos lucros e, não esqueçam, anistia dos dias parados para não terem prejuízo com a remuneração. Afinal, a família deles não pode ser prejudicada. Logo, um final feliz para banqueiros e bancários.

Sobrou a sociedade, que, como sempre, paga a conta com juros e correção monetária. Por mais honesto que o cidadão seja não pode saldar seus compromissos e não consegue sacar dinheiro nem nos caixas eletrônicos porque a truculência dos dirigentes sindicais, que estão mais para leões de chácara do que para líderes de classe, fincam bandeira de donos da vida dos outros e, em razão do seu interesse pessoal, que se danem os demais.

Fala-se de uma lei de greve, que seria constitucional (sic!) e que ela teria certas regras para os trabalhos essenciais. Mas como neste país a constituição é rasgada todos os dias, nessas oportunidades não há exceção. E depois, quem disse que ter acesso ao nosso dinheiro faz parte do essencial? Lembram da bocó Zélia Cardoso de Melo, com seus pares e patrão?

O único poder que nos garante é aquele que os homens não vêem, não redigiram, nem votaram: o poder da justiça Maior, que tudo anota e tudo cobra. É aquela que registra na consciência de quem erra os equívocos a serem reparados. Geralmente à custa de sofrimento. Quem causa dor a alguém registra em si próprio a mesma dor, dentro da conhecida lei de ação e reação. Muito simples! Pena que eles não acreditem…

Dizem que hoje, 23 de outubro de 2008, a greve terminaria, exceto na Caixa Econômica Federal, que como estatal deveria dar exemplo. E surge agora o boato de que o professor de greves, atualmente cheio de poder, está querendo a estatização de bancos, ou seja, um comunismo velado, quando os bens do particular vão parar na mão do governo, em nome da salvação da economia nacional. E essa mesma irresponsável Caixa Econômica Federal passaria a ter mais poder, administrando um patrimônio ainda maior. Preferem assim a dar subzídios, palavra inventada pelo Ministro Mântega, aos pequenos bancos.

Por que tanta arrogância dizendo que a crise internacional que é um “tsunami”, no Brasil não passaria de marola? Gracinha demais para quem ocupa posição tão importante. Brinca com o que é sério além da conta e não resolve o que lhe compete resolver.

E viva o Corinthians!… e a cervejinha do “trabaiadó”!

 

No dia 30 de dezembro de 2007, no caderno Milenium do Jornal o Correio da Paraíba, páginas 1 e 2, temos as “adivinhações” da Sra. Amira Lépore, mais uma das pitonisas do século XXI que, segundo o jornal, é respeitada por políticos e celebridades do Brasil e dos Estados Unidos, onde reside e atende há 20 anos. No Brasil, tem como clientes Roberto Carlos, a família Collor de Melo, Beth Faria, Raul Seixas (já falecido) e Eurico Miranda. Como vemos, trata-se de uma coleção de grilados.

Vamos conferir o que ela disse na época:

1 – Liderança política será assassinada no Estado. Estado da Paraíba, no caso.
Quem foi esse? Até agora!…

2 – Cássio perderá mandato e um “José” assumirá o Governo.
Não perdeu e se perdesse o José seria ou o Lacerda ou o Maranhão, os dois sucessores naturais. Não precisa ser profeta para esse tipo de suposição…

3 – Ano não será bom para Lula que renunciará, sofrerá atentado ou acidente de avião.
Como ela não disse quando nem onde e como até agora nada disso aconteceu, estamos aguardando. E o senhor Presidente nunca esteve tão firme e nunca foi tão popular. Parece que não só não pretende renunciar como deseja fazer a sucessora do Planalto.

4 – Semi-árido terá chuvas intensas onde há seca.
Isso a meteorologia, com seus instrumentos cada vez mais precisos, já havia previsto.

5 – A política paraibana, segundo a vidente, terá uma reviravolta por volta do mês de maio. Sem citar nomes, a psicóloga afirma, inclusive, que o atual governador será cassado.
É o que qualquer um, mesmo que não fosse vidente, imaginaria que acontecesse, diante das evidências, se nesta terra existissem lei e gente séria. Mas como não é o caso, está tudo como dantes no quartel de Abrantes.

6 – O novo governador assumirá e ainda será reeleito.
Estamos aguardando, meio sem acreditar. Por muito menos, muito boi de piranha já dançou.

7 – Importante líder religioso paraibano será assassinado.
Teria sido assassinado algum? Quem foi?

8 – 2008 terá 3 grandes desastres aéreos na cidade de São Paulo, com as mesmas proporções do vôo da TAM.
Até agora não aconteceu nenhum. Mas como ainda faltam uns dois meses e pouco, quem sabe ela acerta essa… Afinal, o Aeroporto de Congonhas coopera, e muito, para que a profecia dela dê certo.

9 – Um líder religioso baiano que faz greve de fome contra a transposição será assassinado.
Até agora, não foi. E nós sabemos bem quem é o tal. Só morreu um que foi passear de balão, demonstrando absoluta irresponsabilidade com a sua vida.

10 – Nas olimpíadas de 2008 o Brasil ganhará muitas medalhas, principalmente no Vôlei, Atletismo e Remo.
No vôlei ela seguramente pensou nos homens de Bernardinho e no esporte de praia (Ricardo/Emmanuel e Juliana/Larissa), o óbvio, onde houve um vexame total. Só as meninas de quadra salvaram o esporte. No remo nunca fomos tão mal e no atletismo, excetuando a Maureen Magi, não ganhamos nada de expressão. E se ganhássemos algo mais, não faríamos mais do que a obrigação dada à tremenda delegação que mandamos para a China.

11 – O Corinthians voltará para a primeira divisão.
Ora, quem é que duvidava disso, podendo ficar entre os quatro. Principalmente porque não há um único clube de expressão nacional na Série B.

12 – Disse que Dunga deixaria a seleção do Brasil  e que o Scolari ficaria na seleção portuguesa, segundo ela, a grande favorita ao título de 2010.
Como vemos, não aconteceu nada disso. Estamos em outubro e o Dunga continua se arrastando, embora a sua permanência seja só pra contrariar a vidente, porque já devia ter caído mesmo. E o Scolarii que, segundo ela, continuaria dirigindo Portugal, está feliz e muito rico no Chelsea. Quanto a Portugal ser favorito, veremos em 2010, se eles se classificarem para a Copa. 

Há muito tempo a Globo deixou de apresentar no Fantástico o seu quadro de previsões, fajutices e chutações. Essa história de que alguém vai morrer, algum vai se dar mal, sem dizer claramente, é balela. Sugiro que o Correio da Paraíba e outros jornais e revistas façam o mesmo. Tudo papo furado e quando dão dez chutes e acertam um, como o caso daquela tal que falou do desastre dos Mamonas e ficou famosa, passam a viver dessa glória, ganhando bons trocado para dizer bobagem. Muitas vezes nem são previsões claras, como no caso da mãe Diná, que só falou depois do acidente; são subentendidas e interpretadas, à conveniência de quem deseja acreditar. Do tipo das Profecias de Nostradamus, que podem ser analisadas de diversas formas.

O leitor quer coisas sérias e não tem mais tempo para ler besteiras. Vamos melhorar a imprensa brasileira.

Grande abraço e meus pêsames à vidente pela quantidade de chutes fora!…

Nós vimos pelos fatos mais recentes
Que a humanidade está na corda bamba
E agora esses que são tão prepotentes
Já começam a viver de suas muambas…

Pulando miudinho, dançam samba
E já não são agora irreverentes,
Porque, num festival só de malamba,
Procuram os culpados essa gente!…

Esse fio da navalha é o dinheiro
Que as bolsas vendem pelo mundo inteiro
E ganham seus milhões dia após dia…

Mas agora, na hora da verdade,
Todos vivem a dura realidade
E a riqueza então vira utopia…

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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