Há mais de trinta anos, no ABCD paulista, surgiu um professor de greves, com mestrado e doutorado. Descobriu o filão que era amedrontar os empresários, ofendê-los, avilta-los e com isso ganhou simpatia e projeção nacional.

Como o brasileiro é bom aluno, todos os trabalhadores aprenderam que é mais fácil conseguir recompensas por meio de pressão do que pelo trabalho sério e dedicado.

O sistema espalhou-se e permanece como vimos recentemente com os empregados dos correios, com os policiais que deviam perseguir bandidos e defender a população e com os bancários.

Quando eu era menino, depois jovem e adulto, filho de lavadeira e pedreiro, aprendi que quando não estamos contentes com um trabalho devemos nos demitir e procurar outro que paguem o que pensamos valer. Da mesma forma, conseguimos nossa casa trabalhando inclusive aos sábados e domingos, sem invadir terras alheias nem depender das bolsas-esmola que viciam o cidadão e tiram-lhe a decência!

Venci tudo e todos, inclusive a miserabilidade da aposentadoria, porque ao longo do tempo me roubaram o que contabilizei dentro das regras, as quais mudaram segundo as conveniências dos que pensam mandar nos cidadãos. Os insensíveis que ocupam cargos provisórios com a única finalidade de se arranjarem e perenizar os benefícios conseguidos sempre de maneira duvidosa… E, como na monarquia, tentar deixar herdeiros como ocorre em todos os estados da federação.

A greve dos bancários aí está. Dividida em três grupos:  banqueiros, bancários e sociedade.

Os banqueiros sempre se beneficiam, porque enquanto o banco está fechado, os juros são contabilizados e o patrimônio deles cresce. Não há pressa, portanto, que a greve termine. Podem negociar à exaustão, procurando toda a vantagem possível para ter menores gastos.

A segunda parte são os funcionários que ficam de braços cruzados por longo tempo para no final, já sabemos, conseguir os reajustes que pretendem, mais as parcelas de adiantamento, participações nos lucros e, não esqueçam, anistia dos dias parados para não terem prejuízo com a remuneração. Afinal, a família deles não pode ser prejudicada. Logo, um final feliz para banqueiros e bancários.

Sobrou a sociedade, que, como sempre, paga a conta com juros e correção monetária. Por mais honesto que o cidadão seja não pode saldar seus compromissos e não consegue sacar dinheiro nem nos caixas eletrônicos porque a truculência dos dirigentes sindicais, que estão mais para leões de chácara do que para líderes de classe, fincam bandeira de donos da vida dos outros e, em razão do seu interesse pessoal, que se danem os demais.

Fala-se de uma lei de greve, que seria constitucional (sic!) e que ela teria certas regras para os trabalhos essenciais. Mas como neste país a constituição é rasgada todos os dias, nessas oportunidades não há exceção. E depois, quem disse que ter acesso ao nosso dinheiro faz parte do essencial? Lembram da bocó Zélia Cardoso de Melo, com seus pares e patrão?

O único poder que nos garante é aquele que os homens não vêem, não redigiram, nem votaram: o poder da justiça Maior, que tudo anota e tudo cobra. É aquela que registra na consciência de quem erra os equívocos a serem reparados. Geralmente à custa de sofrimento. Quem causa dor a alguém registra em si próprio a mesma dor, dentro da conhecida lei de ação e reação. Muito simples! Pena que eles não acreditem…

Dizem que hoje, 23 de outubro de 2008, a greve terminaria, exceto na Caixa Econômica Federal, que como estatal deveria dar exemplo. E surge agora o boato de que o professor de greves, atualmente cheio de poder, está querendo a estatização de bancos, ou seja, um comunismo velado, quando os bens do particular vão parar na mão do governo, em nome da salvação da economia nacional. E essa mesma irresponsável Caixa Econômica Federal passaria a ter mais poder, administrando um patrimônio ainda maior. Preferem assim a dar subzídios, palavra inventada pelo Ministro Mântega, aos pequenos bancos.

Por que tanta arrogância dizendo que a crise internacional que é um “tsunami”, no Brasil não passaria de marola? Gracinha demais para quem ocupa posição tão importante. Brinca com o que é sério além da conta e não resolve o que lhe compete resolver.

E viva o Corinthians!… e a cervejinha do “trabaiadó”!

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