Nossa João Pessoa é hoje
Um picadeiro ambulante
Pois se encontra em cada esquina
Um artista itinerante
Jogando seus malabares
Com corpo de jejuante…

Pedindo vinte centavos,
Só recebe cara feia,
De gente que não aceita
Dar de frente, volta e meia,
Com a miséria de um povo
Que nem sangue tem na veia.

É triste vê-los nas ruas
Parecendo uns vivaldinos
Que entre o viver e o morrer
Lembram-nos diabos meninos,
Que não têm um amanhã,
Porque o hoje é o seu destino…

Os governos não os vêem
Nem os nota a ecologia
Porque bom mesmo é que morram,
Um a menos cada dia,
Sem macular a moral
Da nobre aristocracia.

Mas os chamados diabos
São talvez anjos que Deus
Mandou-os para testá-los,
Sobrevivendo entre ateus,
Cristãos que falam da paz,
Mas não a do Galileu!…

Que Deus perdoe minhas falhas,
Pelas vezes que eu, omisso,
Dei minhas costas a eles,
Crendo nada ter com isso,
Pois sou também um culpado
Que foge do compromisso!

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