Na hora em que me encaro ante um espelho,
Somente nessa hora é que me vejo,
De aspecto desgastado, um tanto velho,
Com a cara esburacada como um queijo…

Nesses momentos é que tenho o ensejo
De recordar meus tempos de fedelho
Quando tudo era farra, era festejo,
E o sangue, que pulsava, mais vermelho!…

Mas, confesso, de nada tenho queixa;
Se viver com saúde o Pai me deixa,
Pouco me importa a fôrma do meu talhe…

Sou feliz – e é o que conta nesta vida,
Seja ela mais curta ou mais comprida –
Pois ser velho não passa de um detalhe!…

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