Tento imitar Jansen Filho,
Embora eu não tenha o brilho
E a lucidez que ele tinha,
Mas me esmero nos meus versos
Para que eles sejam tersos,
Como os da Salve-Rainha!…

O poeta de Monteiro,
Na Paraíba o primeiro
Segundo meu vaticínio,
Faz-me lembrar na poesia
As letras e as melodias
Do inspirado Lupicínio.

Cantava suas raízes,
Felizes ou infelizes,
Pois isto era só um detalhe;
A inspirada criatura
Fazia do verso escultura
Todo esculpido no entalhe!…

Esbanjando seu sorriso,
Brincava num improviso
Como um mestre repentista…
E quem quisesse enfrentá-lo
Tentando cantar de galo
Baixava logo sua crista!…

Mas do jeito que era outrora
Não vejo também agora
Alguém que lhe dê valor…
Nem na sua terra, Monteiro,
Nem neste Brasil inteiro,
Berço de Nosso Senhor…

Minhas palavras são ocas
A força delas é pouca,
Que nem creio que o resgate…
Porém deixo, emocionado,
Meu protesto registrado,
Em defesa desse vate!…

Homenagem ao poeta Miguel Jansen Filho, de Monteiro-PB, um dos maiores repentistas que este país conheceu e o provou de norte a sul.
João Pessoa-PB, 2 de dezembro de 2008.

Anúncios