Doação de órgãos

5/6/2009

Deixo aqui solicitado
A quem for o responsável:
Na hora de me enterrar
Tirem tudo o que é saudável,
Pois eu desejo doar
Aquilo que for viável.

Meu coração bate bem,
Está firme, inda funciona
E se for para outro peito
O novo corpo impulsiona
Fazendo alguém bem feliz
Porque já estava na lona…

Dou dois olhos operados
Porque tinham miopia
E depois com catarata
Que toda a visão cobria,
Mas com cristalinos novos
Postos numa cirurgia.

Eles têm a luz da alma
E quem ganhá-los vai ter
Uma visão muito calma
Que tudo vai resolver
Pois o mundo, mesmo feio,
Vale a pena de se ver.

O fígado está inteiro
Não tem cirrose ou ferida
Nunca o sobrecarreguei
Com os venenos da bebida
E quem recebê-lo pode
Gozar de uma nova vida.

São bons meus rins e pulmões
E tudo o que eu for doar.
Apressem-se no momento
Pra não virem a estragar
Antes de ir pra o cemitério
Vencido para enterrar.

Aliás, por falar nisso,
Incluo neste relatório
Que não quero que me enterrem
Entreguem-me ao crematório
E depois as minhas cinzas
Joguem no mundo ilusório.

Espalhem pelos jardins
Pelos mares, pelos rios,
Dêem como adubo às plantas,
As que sofrem de fastio,
Para que as flores que nasçam
Exultem num vozerio.

Se acaso eu morrer na água
Peço que ninguém se queixe.
Poderei servir ainda
Como alimento pra peixe
Já que comi tantos deles…
Onde eu afundar me deixem.

Não percam tempo com missa;
Quero apenas a oração,
A que Jesus ensinou
Sabida do bom cristão
E nem fiquem no abre e fecha
Chorando no meu caixão.

O que iam gastar com velas
Flores, coroas, corbelhas,
Gastem com pão para os pobres,
Ou degustem uma paelha…
Porque depois dessa hora
Serei só uma centelha.

Se magoei alguém na vida,
E seguramente o fiz,
Foi por pura ignorância
Não foi por mal, porque quis;
Peço perdão de joelhos;
Desculpem este infeliz!…

Podem recitar uns versos,
Se alguém gostar de poesia,
Porém que seja algo alegre,
Sem choro nem agonia…
Porque depois vou voar,
Deixando aqui a fantasia!

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