e aboliram o condicional…

Antigamente os verbos tinham certa conjugação que nestes dias foi atrofiada pelos marqueteiros. O futuro do indicativo ou do condicional desapareceu da gramática brasileira, embora eles tentem unificar o idioma para os diversos paises que o falam.

No meu tempo de escola primária nós dizíamos: Amanhã irei lá. Apenas um verbo. Hoje eles dizem: Amanhã estarei indo lá. Dois verbos.

Antes dizíamos: O evento se realizará entre 18 e 20 deste mês. Um verbo. Agora é assim: O evento estará sendo realizado entre 18 e 20 deste mês. Três verbos.

No condicional nos expressávamos da seguinte maneira: Ele prometeu que amanhã iria lá. Hoje, complicadamente, se diz: Ele prometeu que amanhã estaria indo lá.  Amanhã lhe telefonarei, falávamos nós.  Mas eles dizem: Amanhã estarei lhe telefonando. Em vez de “um momento, vou transferir a sua ligação” eles dizem: “um momento, vou estar transferindo a sua ligação.” Complicado e inútil, não é?

Esses modernismos imbecis alastram-se pelos jornais e revistas, desensinando o verdadeiro português.

Arrumaram, além disso, certas muletas linguísticas como através, que serve para tudo. O gol foi feito através do centroavante. Por que não pelo centroavante? Ele soube através do amigo. Não teria sido pelo amigo ou por intermédio do amigo?

Através só se usa para “através mesmo”. De uma vidraça, por exemplo; através do tempo; através do caminho. Fora isso é por, pelo, por meio de, por intermédio do, etc.

Outra muleta pernóstica é acontecer. O evento acontecerá no fim do mês. Se tem tempo certo, não acontece; será ou realizar-se-á. O evento será no fim do mês. O que acontece é algo inesperado: Vinha ele distraído quando aconteceu o acidente. O mesmo que quando se deu o acidente. Depois da tempestade, aconteceu a tragédia.

Já houve o tempo do a nível de, graças a Deus meio sepultado. O que lhe tomou o lugar foi com certeza. Essa expressão se usa tenhamos ou não certeza. Você vai ganhar na loteria? Com certeza. Seu time será campeão este ano? Com certeza. No dicionário está escrito: Certeza, aquilo que é certo; conhecimento exato; coisa certa; Certamente, decerto, evidentemente. Logo não se joga na loteria com certeza, mas numa tentativa.

É bonito, eles pensam. Na verdade, é conhecimento imperfeito do idioma e restrição na forma de expressar-se.

Enquanto reclamamos da ignorância do povo e da mídia, com certeza, eles vão estar falando através do rádio que o espetáculo vai estar acontecendo no dia 25. Se eles pensam que é bonito, quem sou eu para discordar…

Octávio Caúmo Serrano

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