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Minhas trovas  – Octávio Caúmo Serrano

Ouça o que tenho a dizer
porque é a pura verdade:
o sexo traz prazer,
o amor dá felicidade.

Lealdade é uma virtude
que não se consegue a esmo.
Todo homem que é sensato,
e leal consigo mesmo.

Aquele que no trabalho
vive alegre no que faz,
não fica sem o agasalho
e tem a consciência em paz.

Seja modesto rapaz,
recomendo-lhe de novo;
você cacareja mais
que galinha ao pôr o ovo.

Não seja muito orgulhoso
porque só basta um segundo
para você que é vaidoso
ver-se expulsado do mundo.

A paz é  sempre falada
todo dia, boca em boca;
muita conversa cantada
para uma prática pouca.

A Independência utopia
do grito do imperador
ainda ecoa hoje em dia,
no ouvido do sofredor.

Quando eu partir para o espaço,
Eu deixo para este mundo,
Para o rico ou o vagabundo,
A minha poesia e abraço.

Deixo a lua e seu palor,
O surgir da madrugada.
Deixo a tarde iluminada,
Com as bênçãos do meu Senhor.

… o perfume das donzelas.
Os abraços escondidos.
Os sussurros nos ouvidos.
E os beijos que roubei delas.

Deixo as serestas cantadas.
Os “flertes” de um só segundo.
As noites de gira-mundo.
Deixo os sonhos encantados.

Deixo o riso das crianças,
Os filhos que “nunca tive”.
As subidas e o declive.
Alegrias e esperanças.

Também as flores dos campos.
O zumbido das abelhas.
A chuva que cai nas telhas.
E os faróis dos pirilampos.

Deixo as pipas que empinei
Caçadas e pescarias
Risadas e correrias
E as terras em que pisei.

… as amizades de infância.
Deixo o coreto e a bandinha.
Primeira namoradinha.
E uma vida sem ganância.

Deixo os passeios na praça.
Os tempos bons de retreta.
As piadas e as caretas.
Palhaços cheios de graça..

Deixo as férias na fazenda.
Leite no peito da vaca.
Cana cortada na faca.
E os bois a puxar a moenda.

Deixo também a alegria,
De quando havia coerência.
Pai e mãe com sua ciência,
Que sempre nos corrigia.

… tempos em que fui feliz,
Quase sem ter divergência,
Pois existia inocência,
Nem carecia juiz.

Só não vos deixo a amargura
Que passei quando cresci,
Nem erros que cometi,
Pois os levo à sepultura.

Dornélio B. Meira
João Pessoa, PB, 26 e 28/01/2009.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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