Morreu meu pai quando chegava a primavera:
Cinquenta e sete, era setembro, vinte e dois…
Eu era um jovem, pois nem vinte e três fizera;
Lembro-me bem! Eu me senti triste depois,

Porque bastante sofrimento ele tivera;
Fora operado, mas nunca sarara, pois
Tinha ulcerado, como pouca gente ulcera,
Nada podia ele comer, nem mesmo arroz…

Na Santa Casa, era o domingo da visita,
Ao meio-dia já senti coisa esquisita
Quando esperava ali calado, entristecido…

Do quarto andar, olhando embaixo o necrotério,
Nunca pensei que ali meu pai, num refrigério,
Jazia inerte, porque às dez havia morrido!…

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