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A dor que me doía não passava
E estava insuportável… Ah! doía…
Já era o fim da tarde, fim do dia,
E eu ali rezava; só rezava…

Vez em quando, por mim alguém passava
E nem que eu ali estava percebia,
Curtindo, solitário, uma agonia
De uma dor que apertava; que apertava!…

Senti-me um incógnito no mundo,
Como vejo amiúde o moribundo
Que, sozinho, parece eterizado;

Ninguém vê, ninguém ouve, ninguém sente;
Passa por sobre ele – e segue em frente -,
Como se fora um lixo ali jogado!

A mãe nasce amarrada ao próprio filho
Por um elo que nunca mais desata;
E mesmo quando esse filho a maltrata
Nunca perde no olhar o terno brilho.

Cada dia é mais forte esse amarrilho
Que por ele esta mãe até se mata,
E mesmo seus cabelos cor de prata
Na velhice não servem de empecilho.

É o filho que chora quando nasce
Enquanto a mãe sorri, diante do enlace
Que nunca mais será desamarrado…

Agora só tem olhos nesta vida
Para a cria que lhe é tanto querida,
O seu filho dileto e muito amado!…

Jamais despreze a força da paciência
Diante de um problema nesta vida;
Tenha fé, porque temos a guarida
Do Deus Pai, a Divina Providência!…

Não podemos ter nunca irreverência
Com a dor, por mais que seja dorida,
Já que virá depois, logo em seguida,
Nova dose importante de experiência…

A dor é a nossa mestra e diretriz
E nos fará feliz ou infeliz,
Segundo as nossas próprias atitudes…

Porém, como ainda somos imperfeitos,
O segredo é matar nossos defeitos
Para deles fazer nascer virtudes.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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