A dor que me doía não passava
E estava insuportável… Ah! doía…
Já era o fim da tarde, fim do dia,
E eu ali rezava; só rezava…

Vez em quando, por mim alguém passava
E nem que eu ali estava percebia,
Curtindo, solitário, uma agonia
De uma dor que apertava; que apertava!…

Senti-me um incógnito no mundo,
Como vejo amiúde o moribundo
Que, sozinho, parece eterizado;

Ninguém vê, ninguém ouve, ninguém sente;
Passa por sobre ele – e segue em frente -,
Como se fora um lixo ali jogado!

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