Eu saboreava meu prato                           criança pobre
E o menino observava…
Vi quando de sua boca
Uma saliva escapava
E ele engolia a seco,
Enquanto eu me deliciava…

O que me era um prazer
Sublime do paladar,
Pois eu havia escolhido
O melhor para o jantar,
Virou de repente fel,
Qual droga a me envenenar!

Olhando fixa em mim
Sem falar, a tal criança,
Mostrava-me seu sorriso
E o seu cabelo de trança
Mas vi que por traz dos olhos
Não havia uma esperança!…

Por que existe neste mundo
Tão malvada divisão?
Uns dormem em cama macia
Os outros deitam no chão,
Uns tem casa com carpete
Outros só um papelão?!

Deus quando fez nossa Terra
A todos deu um pedaço,
Mas vieram os gananciosos
E fizeram de palhaço
Os homens, deles roubando
Seus mais ínfimos espaços!…

Porém, por mais que revolte,
Devemos ter nossa crença.
Se Deus fez tudo perfeito
E hoje há tantas doenças
É para nos aprendermos
A vencer as diferenças!

O forte, socorra o fraco…
Quem é rico, ajude o pobre…
Ofereça pelo menos
Um pouco do que lhe sobre
E se tem dois cobertores
Doe um, num gesto nobre!

Mas em vez de reclamarmos,
Sujeitando-nos a enfarte,
Muito melhor cooperarmos
E fazermos nossa parte,
Tendo sempre a caridade
Como o mais belo estandarte.

Anúncios