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     estrada

A estrada que vai pra lá
É a mesma que vem pra cá… 
Só você, porém, decide
O sentido que quer dar,
Se você quer ir pra lá
Ou se pretende voltar.

Nisso é que consiste a vida,
No seu sentido vital;
Para uns é complicada,
Mas para outros, normal!
Uns creem que a vida é bela,
Mas outros a creem banal!

O que não pode, ninguém,
É ficar estacionado,
Sem ir pra lá nem pra cá,
Por estar desanimado…
Às vezes ir é voltar,
Mas nunca fique parado!

É a mesma estrada que leva
À ventura e à desdita
E tudo vai depender
Em como você acredita,
E do que espera da sorte,
Que seja feia ou bonita!…

Se observarmos com calma,
Tudo no mundo é um vaivém,
E o que parece importante,
Logo se acaba também…
Portanto cada um procure
Viver o que lhe convém.

Nunca dê grande importância
Ao que falam a seu respeito,
Pois pra uns as qualidades
Parecem que são defeitos!…
Por isso viva a sua vida
Decente, mas do seu jeito…

Tenho a graça da saúde,                             
E até saúde de graça,
Quando caminho na orla,
Pelas ruas, pelas praças,
Porque aqui tudo é saudável,
Com ar puro, sem fumaça.

De manhã, na caminhada,
Recebo todo o carinho
Da natureza bondosa
E deixo pelo caminho
Qualquer tristeza ou problema,
Respirando o ar marinho.

Com sua generosidade,
Oferece a natureza,
Sem nada pedir em troca,
Todo amor, toda beleza,
Na maresia e na brisa
Que espantam qualquer tristeza.

Toda essa graça é de graça…
É só não termos preguiça,
Pois senão o corpo emperra
E logo depois enguiça,
Quando chegam os urubus,
Já farejando a carniça!

Quem tem a oportunidade
Vê que isso é um privilégio
E não se doar à vida,
Desfrutar seu florilégio,
É ser ingrato com Deus,
Cometendo um sacrilégio.

Acorde quem está dormindo…
Ponha a saúde no pé,
Vá fazer a caminhada,
Enquanto reza com fé,
Na certeza de que a vida
É bela; porque ela é!…

Olavo Bilac-RJ

 Noite ainda, quando ela me pedia  Olavo Bilac
Entre dois beijos que me fosse embora,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

“Espera ao menos que desponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho..
E olha que escuridão há lá por fora!

Como queres que eu vá, triste e sozinho,
Casando a treva e o frio de meu peito
Ao frio e à treva que há pelo caminho?!

Ouves? é o vento! é um temporal desfeito!
Não me arrojes à chuva e à tempestade!
Não me exiles do vale do teu leito!

Morrerei de aflição e de saudade…
Espera! até que o dia resplandeça,
Aquece-me com a tua mocidade!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava…
Espera um pouco! deixa que amanheça!”

– E ela abria-me os braços. E eu ficava.

II

E, já manhã, quando ela me pedia
Que de seu claro corpo me afastasse,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:

“Não pode ser! não vês que o dia nasce?
A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta…
Que diria de ti quem me encontrasse?

Ah! nem me digas que isso pouco importa!…
Que pensariam, vendo-me, apressado,
Tão cedo assim, saindo a tua porta,

Vendo-me exausto, pálido, cansado,
E todo pelo aroma de teu beijo
Escandalosamente perfumado?

O amor, querida, não exclui o pejo.
Espera! até que o sol desapareça,
Beija-me a boca! mata-me o desejo!

Sobre o teu colo deixa-me a cabeça
Repousar, como há pouco repousava!
Espera um pouco! deixa que anoiteça!”

– E ela abria-me os braços. E eu ficava.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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