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Enquanto os governos fazem
Inúmeras reuniões,
Para tentar defender
As suas populações,
Os marginais, simplesmente,
Agem sem preocupações.

Celulares entram e saem
Dos presídios, livremente,
Sem que ninguém interfira
Para brecar essa gente
Que comanda todo o crime,
Mesmo sem estar presente.

Os policiais fazem greve
Enquanto o tumulto cresce
E na hora do sinistro
Ali ninguém aparece,
Pois dizem que ganham pouco
E não demonstram interesse.

Fecham as delegacias,
Vão todos passear na praia
Ou então vão para o campo
Divertir-se na gandaia
E o pobre que se defenda
Com algum rabo-de-arraia…

Avisam sempre os lugares
Onde vão fiscalizar,
Para que os pobres bandidos
Consigam se organizar
E assim na hora dos roubos
Mudem para outro lugar…

Se você ficar em casa
Poderá ser assaltado;
Decidindo ir para a rua
Poderá ser seqüestrado
E se for entrar no mar,
Pode ser atropelado.

Viatura não tem pneu
E até falta gasolina,
Por isso dão poucas voltas
Devagar só até a esquina,
Desde que não seja escuro
E que não tenha neblina.

Por isso que, de repente,
O policial e o bandido
São pegos nalgum acordo
E o dinheiro é dividido;
O governo sabe tudo,
Mas nunca a isso dá ouvido.

Por isso que, analisando,
Vendo o mundo ir para trás;
Num salve-se quem puder
Eu lhe advirto rapaz:
Prepare-se para a guerra
Pois é impossível ter paz!

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Segue na rua como um maltrapilho,                       
A desfilar tal qual um manequim,
Trançando as pernas… Ela vai assim,
Com altivez, a derramar seu brilho.

Em passo lento, como um andarilho,                              
Sempre sorrindo ela exibe, enfim,
Todo o seu charme, os lábios de carmim,
Pois o farrapo não lhe é empecilho.

Pelo seu porte, vê-se que é rainha;
Como se ouvisse alguma louvaminha,
Comprove como alegre se conduz!

Altiva segue, sem olhar de lado,
Pois em seu corpo, todo esfarrapado,
Mora uma alma que só espraia luz…

Entre entrevero, estudos e experiências,
Estático eu escrevo – enquanto espero –
Este estro, em extrema efervescência,
E elogio-me ebrioso, em ermo etéreo…

Emociono-me e expresso esta eloquência;
Eu, entediado, esgoto-me e exagero,
Estertorando estórias e evidências,
Emaciado e estóico eu exaspero.

Especialista, eu elucido enganos,
Escamoteado entre estas esperanças,
Evidencio espírito escorpiniano…

Elogiado e enternecido esqueço
Esta epopéia, estúpida emboança,
Esvaindo em estertorante empeço…

Escutando o barulho do arrebol
Levantei-me da cama em sobressalto!
Quando olhei, o clarão já estava alto
E luzia soberbo um novo sol…

Salpicava de luzes todo o atol
Clareando o desbotado azul cobalto,
Porque o sol ressaltava esse basalto,
Como as luzes brilhantes de um farol.

Escutei o silêncio à minha volta
E uma doce quietude, como escolta,
Passou a iluminar meu pensamento…

Ao redor, manso mar jazia em calma.
Relaxei, respirei, até que a alma
Sorvesse toda a força do momento. 

– Divenei Boseli/SP –

Seu quarto, um encantado picadeiro,
procuro quando, mansa, a noite desce,
jurando ser o ato derradeiro
na farsa que, ridícula, acontece.

Mal chego, o seu perfume traiçoeiro,
narcótico letal, já me arrefece
a sanha e a decisão de um dia inteiro:
dizer “não é você quem me merece”.

Covarde, nada digo. Nem “talvez”….
Palhaço que é o que sou, que você fez,
vou me deixando usar – foi sempre assim –

Até que a luz do dia o encanto corta,
eu ganho a rua e deixo à sua porta
este palhaço que pernoita em mim!

De Oliveira de Panelas – PE – para o Octávio.
Oliveira, ex-parceiro de Otacílio Batista, é poeta e repentista e vive na Paraíba há quase trinta anos.

Em Octávio Caúmo eu vi o quanto
Há esmero poético e arte pura
Sua musa harmoniza a partitura,
Poliniza beleza em cada canto,
Sua verve e canção, são acalantos…
Tem essência de pétalas liriais,
Horizontes de luzes aurorais,
Circundados por mágicos diademas,
Onde Deus botou harpa em seus poemas
Consagrando-o entre os vates geniais.

O parnaso é o templo de Caúmo…
Onde quer que haja espaço, ele levita,
Tendo vida, na certa, ele visita,
Semeando relíquia em raro sumo!
Viajor que transcende o próprio rumo,
Albatroz entre os céus aureolados,
Às esferas dos sonhos liberados
Ele vai, arquiteta, rege e volta,
Tem na ida e na vinda magna escolta
Dos excelsos irmãos iluminados.

Plangem liras de amor em doces cânticos,
Dedilhados por mãos misteriosas,
Qual os hinos cantados pelas rosas
Celebrando o enlevo dos românticos.
Fontes puras, nereidas, céus atlânticos…
Testemunham seu gênio criador,
Maravilhas fluídicas tecem a flor
Põe beleza nas vestes dos aromas,
Fazem Octávio cantar os idiomas
Na canção perenal do grande amor.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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