Nos jogos de botões sobre a calçada
Deixei a minha infância registrada,
Junto com as pipas que eu mandava ao ar,
Quando elas se perdiam na neblina
Que descia na hora vespertina
Enquanto a mãe cuidava do jantar…

Já à noitinha eu pegava a bicicleta,
Que era usada, singela, bem discreta,
E rolava na rua morro abaixo,
Até a hora em que eu via no horizonte
Bem intensa e luzindo em minha fronte
A lua  que fugia serra-abaixo!…

Após minha oração, tipo de um salmo,
Na minha cama simples, sono calmo,
Sonhava sempre ter felicidade…
Acordava depois, pela manhã,
Guardando na minha alma o intenso afã
De reviver de novo a liberdade!

E no moto contínuo desta infância,
Não havia lugar para a ganância,
Mas apenas desejo natural
De viver e sentir muita emoção
O que deixa feliz o coração,
De quem pensa no bem sem ver o mal…

O tempo passou presto e fiz-me adulto!…
Se a vida deu-me apoio, deu-me insulto,
Mas hoje eu busco distinguir os traços
E separar o que de melhor fiz,
Para nunca sentir-me um infeliz
E deixar sepultados meus fracassos!…

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