Do Livro Versos Escolhidos e Epigramas-
Djalma Andrade – MG 1952

Que eu faça o bem e de tal modo o faça
Que ninguém saiba o quanto me custou; 
– Mãe, espero de Ti mais esta graça:        
Que eu seja bom sem parecer que sou !  

Que o pouco que me dês me satisfaça     
E se, do pouco mesmo, algum sobrou,     
Que eu leve essa migalha onde a desgraça         
Inesperadamente penetrou.          

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,    
Que será, minha Mãe, Senhora Nossa,    
Para o pobre faminto que vier.      

Que eu transponha tropeços e embaraços,          
Que eu não coma sozinho o pão que possa          
Ser partido por mim em dois pedaços.

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