– Divenei Boseli/SP –

Seu quarto, um encantado picadeiro,
procuro quando, mansa, a noite desce,
jurando ser o ato derradeiro
na farsa que, ridícula, acontece.

Mal chego, o seu perfume traiçoeiro,
narcótico letal, já me arrefece
a sanha e a decisão de um dia inteiro:
dizer “não é você quem me merece”.

Covarde, nada digo. Nem “talvez”….
Palhaço que é o que sou, que você fez,
vou me deixando usar – foi sempre assim –

Até que a luz do dia o encanto corta,
eu ganho a rua e deixo à sua porta
este palhaço que pernoita em mim!

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